Dina Di – a força feminina no rap pioneiro

Boa noite gente! Hoje, eu, Helena, e o João, tivemos uma aula na escola de Conexões que trabalhou com a análise de uma canção do Criolo chamada “Sucrilhos” e suas diversas referências externas presentes na letra (ouça abaixo a canção). O que mais chamou nossa atenção foi no trecho que o rapper menciona vários outros cantores como Sabotage e Dj Primo, assim como Dina Di. Esta foi uma figura importantíssima para a história do rap brasileiro e para a representação feminina na música como um todo. E, assim, nos tocamos que nunca tínhamos feito um post sobre ela!

Dina Di nasceu e morreu em Campinas, São Paulo. Encontrou diversas dificuldades durante a infância, com problemas de pobreza e fome, e outros problemas familiares. Usava roupas folgadas, óculos e boné, algo que, naquela época (e ainda hoje) muitos estranhavam. Dizia que usava tais roupas para que os homens que acompanhassem seus shows (já que o rap, naquela época, era extremamente voltado ao público masculino) não olhassem para sua bunda, mas ouvissem de verdade o som que fazia.

Hoe vemos Dina Di como uma das melhores rappers, levando o movimento feminino para cima dos palcos, mudando inclusive a letra das canções que se fazia naquela época. A partir de então, não era mais tão comum ouvir nas músicas que “a mulher é vadia” ou nem mesmo a falta da presença feminina. O respeito à pioneira do rap feminino levou a uma reconsideração sobre toda a formulação das letras do gênero musical. Não é à toa que hoje, Karol Conka, Negra Li e outras rappers agradecem Dina Di por ter aberto um caminho que não foi e não está sendo fácil de pavimentar.

Infelizmente, Dina Di morreu no ano de 2010, por conta de uma infecção hospitalar. Deixa saudades, porém seu legado ao rap brasileiro jamais será esquecido.

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Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/thumb/2/29/Dina_Di.jpg/220px-Dina_Di.jpg

 

Veja na nossa rádio uma das músicas de Dina Di e abaixo o som de Criolo:

 

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Mostra de Filmes de Hip Hop

O CineSesc irá sediar uma Mostra de Filmes de Hip Hop que começa hoje galera! Ela reúne vários longas e curtas, sejam ficções ou documentários, que estão dentro das várias esferas do hip hop, como o DJ, a raíz de rua e a Old School.

O objetivo principal desse evento é buscar os fundamentos da cultura hip hop que nunca seriam exibidos no Brasil. Informações que simplesmente ficaram restritas às pessoas que viviam na época. Além de tratar do presente e os atuais desdobramentos dessa cultura, que faz parte das ruas, das danças de break, das festas com dj’s, etc.

A Mostra irá homenagear Bobbito Garcia, que ajudou a difundir artistas nesse ramo como Jay-Z, Notorious B.I.G por um programa de rádio que apresentava nos anos 90 nos Estados Unidos. O principal documentário do evento, portanto, é aquele que conta um pouco da história de sua vida, chamado: “Stretch and Bobbito: Radio That Changed lives”. Veja abaixo  trailer:

Além disso, o pessoal está com grandes expectativas para a exibição do documentário sobre o famoso rapper brasileiro Sabotage, lançado em 2015. Conhecido por causar uma comoção intensa, ele mostra depoimentos de vários outros rappers como Mano Brown (Racionas MC’S), BNegão, e outros famosos como Hector Babenco e Paulo Miklos. Veja o trailer abaixo:

 

Informações sobre o local e exibição:

ONDE?  CineSesc, localizado na Rua Augusta, número 2075.

QUANDO? De 28 de setembro até dia 4 de outubro

COMO COMPRAR? Todos os ingressos são gratuitos, mas vocês podem comprar por esse site: https://www.sescsp.org.br/unidades/2_CINESESC/

MINIDOC

Pessoal! O grande dia chegou! O nosso minidoc ficou pronto, e abaixo vocês já conseguem vê-lo. Gostaríamos de dizer que, ainda que essa semana tenha sido intensa e muito desgastante, é realmente gratificante ver o produto final de tanto trabalho.

Gostaríamos de agradecer também a todos os envolvidos nesse processo, desde pais aos professores, que nos ajudaram a montar o vídeo tal como está!

Esperamos que vocês gostem, fizemos com muito carinho!

Projota e a intolerância

Oi gente, tudo bom? Hoje viemos aqui falar sobre uma entrevista que o rapper Projota deu ano passado, publicada no site http://www.heloisatolipan.com.br/musica/projota-analisa-o-rap-vai-contra-a-reducao-da-maioridade-penal-fala-de-drogas-e-racismo-a-gente-sente-que-e-tratado-diferente/. Vindo da Zona Norte de São Paulo, o MC começou compondo rock e, somente aos 15 anos, entrou em contato com o CD dos Racionais MC’S e se apaixonou pelo rap.

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(Clique aqui para a fonte da foto)

Segundo o rapper, no início de sua carreira, marcado por ele ganhando batalhas de improviso, a grande dificuldade que teve era ganhar dinheiro para sustentar-se. Muita pouca gente, segundo ele, colaborava para seu futuro como artista. Gravava suas músicas no seu próprio computador, por exemplo.

Além da dificuldade financeira, o racismo pelo qual ele e outros amigos passam é, infelizmente, algo bastante real. Segundo ele, quando ainda ia para a faculdade, pegando o ônibus vazio, nunca conseguia ter alguém que sentasse ao seu lado. Todos os dias. Hoje, felizmente, com seu reconhecimento estrondoso, o cantor já não passa por tantos perrengues. Ainda assim, ele disse na entrevista: “A gente sente que é tratado diferente“.

Por fim, uma última parte interessante da conversa com Projota foi quando o entrevistador perguntou como ele se sentia com uma parte da população tendo preconceitos com o gênero rap. Muitos, segundo este, acham que é para vagabundos e maconheiros. Projota respondeu que sim, ainda existe o preconceito, ainda que ele seja mal fundamentado, pois ele e muitos outros rappers como Emicida e Marechal, não fumam ou usam drogas.

Atualmente, Projota anda bastante na mídia. Isso porque compôs a música tema das Olimpíadas, junto com Thiaguinho, chamada “Alma e Coração”. Veja abaixo o clipe:

 

 

Batalha de rap

Oi gente! Viemos falar pra vocês de algo incrível que acontece aqui na cidade que se chama Batalha de Rap ou Batalha de Rimas. Todas as sextas, na esquina da Rua Augusta com a Av. Paulista, temos uma junção de MC`s que mostram seu talento e se divertem muito fazendo músicas e rimas pra lá de interessantes.

No site ponte.org, vimos uma entrevista com um dos organizadores dessa batalha, chamado MC Will Smith. Carismático e sincero, ele explica um pouco como funciona sua vida e sua relação com o rap e a cidade. Explica bastante também a relação que tem com a polícia, muitas vezes julgado por sua aparência. E como o rap foi para ele uma válvula de escape dos problemas da vida.

O que mais chamou nossa atenção foi a escolha do local para a batalha. Segundo MC Will, rap é algo que vem das periferias, portanto, eles queriam afrontar o sistema ao realizarem a batalha em um pólo comercial, em frente ao banco Safra. Queriam contradição.

Veja abaixo a entrevista do rapper:

O rap como alicerce musical

Oi gente! Aqui quem está falando é a Helena e o assunto que eu trouxe pra falar com vocês hoje já apareceu em muitas manchetes nos jornais. Eu estou falando das mortes de Alton Sterling e Philando Castile (ambos negros) que ocorreram nos Estados Unidos por oficiais da polícia. Isso levou a vários protestos pelo país e à morte de 5 oficiais da polícia. Ainda que isso não seja algo que vimos com nossos próprios olhos, acho muito importante retratar algo que efetivamente vem ocorrendo com frequência no país norte-americano.

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Protesto encadeado pela morte de Philando Castile. Foto de: Jeff Wheeler/Star Tribune/AP

Mas, e a relação com o rap? Bom, hoje mesmo o famoso rapper Jay-Z lançou uma música chamada “Spiritual” protestando contra a morte de negros que  não só ocorreram essa semana, mas também nos últimos anos. Junto com o lançamento, que você pode ouvir no aplicativo Tidal, do próprio cantor, ele disponibilizou uma nota sobre os eventos recentes: “Eu fiz essa música há algum tempo atrás, eu nunca consegui terminá-laPunch (TDE) me disse que eu deveria solta-la quando Mike Brown morreu, infelizmente, eu disse a ele, ‘esta questão será sempre relevante.’ Estou magoado que eu sabia que sua morte (Mike) não seria a última. Bênçãos para todas as famílias que perderam entes queridos para a brutalidade da polícia”. 

Acho que seria legal fazer este post propondo uma reflexão para todos nós. O rap mais uma vez foi usado como um instrumento de partilhar a mágoa, a dor, e querer provocar mudanças. Indo contra as intolerâncias que, como vemos com as notícias das mortes dos americanos, não estão perto de acabar, infelizmente. Há uma necessidade (bastante necessária, aliás) de mostrar pra todos como ainda existem injustiças no mundo e como temos meio de lutar contra elas, seja com ou sem a música.

O rap é um alicerce, um suporte que entalha nas pessoas a mensagem que quer transmitir. Seja para o passado: ela torna eterno aquilo que ocorreu, transforma o evento em uma memória, boa ou ruim. Seja para o presente: ela agita o mundo do entretenimento com os eventos recentes, que demoram mais para sair de nossas cabeças. Seja para o futuro: as marcas profundas que ela deixa do passado são usadas para evitar que coisas ruins semelhantes aconteçam no futuro. Ou mesmo: para nos ensinar como coisas boas ainda podem acontecer, como ocorrido no passado.

Eu poderia fazer mais três páginas a respeito do rap e a relação com a polícia e sua intolerância perante os negros nos Estados Unidos. Mas, na verdade, só queria mesmo fazer uma leve provocação a respeito do assunto, ateando uma faísca nos pensamentos de vocês sobre a verdadeira utilidade do rap. É, com certeza, muito mais que algumas notas musicais entoando uma bela canção ritmada.

-Helena Verri

Só uma gota

Olá pessoal! Nosso grupo escreveu recentemente uma crônica argumentativa chamada “Só uma gota”e gostaríamos de compartilhá-la com vocês! O tema é a arte como mecanismo de transformação social e cultural no ambiente da cidade. Esperamos que gostem!


Feio, simples demais, não compreensível. Algumas das palavras que descrevem o que alguns acreditam da arte nos dias de hoje, seja qual for. Mais comum do que imaginamos, a arte às vezes é repulsão para uns, que não acreditam em seu potencial ou a associa com outros elementos pejorativos como drogas, luxúria, diversão abusada. Recentemente, nós nos deparamos com Negotinho, um rapper da comunidade de São Mateus que faz parte de uma organização chamada “São Mateus em movimento” com a tentativa de alimentar a cultura do local com movimentos artísticos, educativos para todos. Foi falando com ele que nós realmente paramos para pensar no valor da arte. É com pesar que dizemos que existem pessoas que pensam nessa linguagem como um desvio do certo. Negotinho conseguiu provar o quanto ela é importante para mudar a vida de muitos e conectar pessoas, mudando definitivamente a vida de muitos jovens que não possuem tantas oportunidades de acessar o conhecimento e a cultura.

A arte é como um pingo de tinta que se dilui na água. Ela é transformadora, educativa, que ao chegar numa comunidade impede que muitas das crianças e jovens se voltem para um caminho mais obscuro como o tráfico de drogas. Ela, como a tinta, modifica o tom do local, colorindo a vida das pessoas. E o mais importante: ainda que mude a forma de vida de todos, a essência e personalidade do espaço não mudam. A água com tinta não deixa de ser água. Só passa a ser um líquido bem mais bonito que anteriormente. É uma forma de expressão que preserva as origens do local e, ao mesmo tempo, trilha um outro caminho para a comunidade.

Além de transformadora, a arte conecta pessoas, alcança todas as idades. Dançar capoeira, pintar nas paredes, tocar um instrumento. Qualquer pessoa pode fazê-lo e quando o faz, certamente passa a conhecer outros com a mesma afinidade artística. Lembram da gota de tinta diluída na água? Funciona da mesma maneira. Assim que a gota de azul anil toca o líquido, ela inicia uma jornada evasiva, alcançando todas as partes da água, colorindo-a. Espalha-se. Conecta.

É por isso, nossos queridos leitores, que dizemos a vocês sempre que podemos: valorize a arte. Negotinho nos ensinou o quão importante ela é para sua vida e para a de seus amigos. Sem o rap e o grafite, por exemplo, talvez não teria conseguido esquecer a dor de ter seu pai longe. Portanto, joguemos quanto quisermos de tinta na água. Quem sabe fazemos disso uma bela pintura aquarela.

 

Criolo e sua nova versão de “Ainda há tempo”

Criolo, um dos mais famosos rappers paulistas e um dos nomes mais influentes do hip-hop, lançou uma nova versão de seu primeiro álbum “Ainda há tempo“. Diante dessa notícia, nós decidimos ressaltar dois principais aspectos que nos chamaram atenção. O primeiro: Criolo buscou ocultar e mudar alguns versos de suas músicas consideradas pejorativas e transfóbicas. Um exemplo é a música “Vasilhame”, uma faixa que pregava o consumo de álcool e fazia menção aos travestis de forma negativa. O que criolo disse a respeito da mudança foi: “Revi tudo e mudei aquilo que não tinha necessidade de fica. Não tenho problemas em dizer que errei.“. Um outro aspecto que nos chamou atenção foi que seus versos se mantém muito atuais, mesmo depois de 10 anos.

Segundo o site O Globo, a música “Chuva Ácida” parece ter sido feita em resposta ao desastre das barragens da Samarco em Minas Gerais. Os versos “Mercúrio nos rios/ Diesel nos mares/ O solo estéril” parecem fazer referência à tragédia.

Escute aqui as músicas mencionadas acima:

“Vasilhame” em sua versão anterior

“Chuva Ácida” outra faixa do álbum – 

 

A Repressão das Cores e Tons

Quantas vezes vemos grafites sendo sobrepostos com tinta preta, cinza ou de qualquer outra cor porque a obra foi confundida, ou até mesmo previamente considerada pelo governo uma pichação? Quantas vezes ouvimos alguém ofender um músico de rua, chamando-o de vagabundo ou de marginal? A resposta para estas duas perguntas é: muitas vezes.

Essa resposta mostra o quão intolerante São Paulo, um dos maiores centros de cultura do mundo, é em relação a arte de rua. Enquanto em outros polos mundiais como Nova York, Londres, Tokyo, a arte e o artista urbano tem lugar de destaque em meio aos espaços públicos, sendo sempre respeitados e valorizados pela população, aqui sofrem este tipo de repressão.

A “correria” de São Paulo fez com que as pessoas deixassem de valorizar as cores, e mais tarde passaram a não tolerá-las. Isso porque, perderiam seu precioso tempo para aprecia-las e analisá-las , o que tornou a nossa cidade cinza e sem vida.

Estas pessoas não aceitam mudança, não aceitam uma vida fora da monotonia. Em uma cidade que possui a arte de rua em quantidade até razoável , e em espaços variados, cada dia é um caminho por análises e sentimentos diferentes. Este não é o caso de São Paulo no momento.

Nossa cidade tem potencial para ser um dos grandes centros mundiais da arte de rua. Podemos ver isso no Beco do Batman, por exemplo, um lugar em que os muros são 100% preenchidos por grafites, que é um dos poucos lugares onde a arte urbana é reconhecida na metrópole. Pode-se observar isso também aos Domingos na Av. Paulista, onde alguns músicos aparecem para colorir o ar, e que mesmo com as pessoas que os criticam, continuam lá, firmes e fortes mostrando seus talentos.

Beco do Batman:

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Arte urbana exige ao artista treino, dedicação e prática. Faz críticas sociais e nos emociona, como qualquer outra.  Então, esta deve ser tratada e respeitada como qualquer arte que é exibida em museus e galerias.

Além disso, a intolerância não só aparece no que diz respeito às expressões artísticas, mas também é tema de muitos artistas que usufruem desse meio para percorrerem essas linhas marcadas de preconceitos históricos impregnados na sociedade e  em nossa cultura, como o racismo.

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Exemplo de um grafite que retrata o racismo às mulheres negras, http://blogueirasnegras.org/wp-content/uploads/2013/06/graffiti-feminist.jpg

São Paulo é intolerante às diferenças no geral, mas acreditamos que a arte de rua é um dos tópicos onde isto se destaca, principalmente nos dois métodos artísticos que escolhemos, a música e o grafite. Procuramos pesquisar mais afundo a respeito dessas duas esferas, incluindo a trajetória dos artistas que sofrem com isso. Esperamos ,com nosso projeto, mostrar isso às pessoas e até conseguir mudar a mentalidade de algumas. Tendo assim uma cidade mais viva, cheia de tons e cores, e menos monótona.

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