Reta Final

Helena Verri – 

Oi gente! Agora que entregamos noss minidoc, chegou o momento da reta final: analisar o que foi o Móbile na Metrópole e como ele de fato mexeu com nossas vidas e rotinas.

Vocês lembram do post Navegar é preciso, o primeiríssimo do blog onde eu disse as minhas principais expectativas sobre o projeto? Bem, é engraçado ver como eu, inicialmente, não tinha nenhuma animação em relação ao projeto, antes de me apresentarem ele. Foi depois de uma reunião mais formal que eu comecei a ficar mais ansiosa. Mas certamente não sabia que seria assim. Desse jeito. Com essas pessoas. Com essa cidade.

Sem sombra de dúvida, os ganhos que tive e meus aprendizados foram muito mais amplos e satisfatórios que imaginados. É impossível agora, andando de carro pelas ruas, não pensar nas pessoas que vivem em São Mateus, em cada indivíduo dentro de um ônibus, nos monges do templo budista, nos colegas do centro espírita…Em todos. Porque todos fizeram e ainda fazem parte de uma história que eu, e todos os alunos, começamos a construir com o projeto. Uma história que trabalha a relação entre eu, cidadã, e São Paulo,a cidade. E não é que ela tem um final já determinado, pelo contrário: a viagem, o estudo foi apenas o prefácio. Como eu disse no post já mencionado, navegar continua sendo preciso. E sempre será. Porque é mergulhando na cidade, cada vez mais profundamente, que enriquecemos nossa personalidade, nossas vivências, nosso ser interno. E podemos assim compartilhá-los com outras pessoas, para que todos tenham a possibilidade de aprender, conhecer, sentir o que temos.

As minhas expectativas foram supridas, e além: superadas. Com certeza a Helena de agora é uma Helena diferente da de 7 meses atrás. Obivamente que esse projeto toca as pessoas de diferentes maneiras, cada um possui uma sensação diferente. Porém, no meu caso, permeabilizou as minhas relações e aumentou a minha sensibilidade diante do cotidiano que antes parecia tão monótono e tão cinzento. Hoje eu vejo cor no cinza, e aceito a cidade como ela é, porque finalmente a conheço como é.

Portanto, foi um projeto bastante proveitoso. Definitivamente auxiliou na pavimentação de um caminho de auto-conhecimento e de enriquecimento cultural. Parafraseando o início de nosso mini-doc, foi “um projeto que fez de nós cidadãos mais ativos. Mais tolerantes”.   

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Desconstrua SP

Helena Verri

Ufa, que dia. Acho que depois de sentar e refletir sobre o que foi o dia de hoje, uma palavra que define minha sensação atual é: uau. Uau em todos os sentidos: admiração, surpresa, confusão. Agora entendi porque todos dizem que a cidade de São Paulo é caótica: ela te deixa de cabeça para baixo, num estado de constante pressa, excitação, num ritmo contado. Eu pertenço ao grupo 7 e comecei o dia indo para o extremo leste da cidade, na comunidade de São Mateus. Juntando isso com a breve greve de ônibus que aconteceu, foi algo que realmente me captou a atenção. Em São Mateus, há uma atmosfera completamente fora da bolha em que vivo. São pessoas humildes mas muito intensas, com muita cultura para oferecer e que geram uma troca entre nós, alunos, e eles muito produtiva.

Fomos visitar o Museu a Céu Aberto, uma galeria de grafites nos muros das simples casas que retratam majoritariamente o homem e mulher negros e suas casas e rotinas. É um projeto organizado pelo O.P.N.I. (Objetos Pixadores Não Identificados), um conjunto de rappers, grafiteiros e voluntários da comunidade que se juntam para promover um movimento cultural no espaço. Desde oficinas de artesanato a convites de grandes e renomados grafiteiros do exterior.

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Grafite em São Mateus

Uma das falas mais marcantes de Val, grafiteiro do O.P.N.I, foi esta que selecionei:

A gente busca impor aquilo que não existia na comunidade. Quando você ia ter arte aqui? E além de abrir espaço para discussões artisticamente e socialmente. A partir do momento em que temos arte e cultura, vemos o mundo de forma plena. E é por isso que buscamos reivindicar nossos direitos: porque todo mundo pode fazer arte.”

Andamos de metrô, ônibus, Uber (quando a greve se instalou na cidade). Direto da Zona Leste e periferia de São Paulo, fomos para Vila Madalena e Pinheiros. Que diferença. O visual de uma série de casas coladas umas às outras muda para uma paisagem de comércios populares e tradicionais juntamente com prédios e lojas modernas e na moda. E tudo na mesma cidade.

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Grafite no Beco do Batman

Depois desse trajeto intenso, consegui junto com meu grupo parar e refletir: São Paulo, o que você precisa é se desconstruir. De tudo: dos padrões sociais impostos, dos prédios de concreto e aço. É preciso quebrar barreiras entre regiões para que a comunicação cultural aconteça, que nos misturemos, nos conheçamos mais. E como identidades tão diferentes são formadas em uma mesma cidade? Bom, nem há resposta para essa pergunta. O que importa é saber quais são essas identidades. 

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Grafite em São Mateus
Fotos de: Helena Verri