“Uma noite em Sampa” e o medo na sociedade moderna

Ei galera! Esse domingo viemos anunciar um filme que lançou no Brasil no dia 26 de maio chamado “Uma noite em Sampa”, do diretor Ugo Gioretti. Ele trata de um grupo de pessoas da elite paulistana que sai de uma peça de teatro e acaba ficando preso dentro de um ônibus, tendo de observar a noite na capital. O mais interessante é que são pessoas que saíram de São Paulo em busca de uma vida mais segura e confortável.

A partir desse filme fizemos duas reflexões. A primeira diz respeito ao tratamento perante o desconhecido na capital. Como vimos em algumas dicussões, a partir do texto de Edgar Allan Poe, “O homem na multidão”, há uma associação direta com aquele que foge de um padrão e o criminoso e marginal. Assim, o filme explica o por quê os de classe mais alta sentem tanto medo dos moradores de rua, ao ficarem dentro do ônibus.

Outra reflexão diz respeito ao medo como forma de controle social. Atualmente, é comum nos depararmos com Estados que promove o medo na população, alterando suas experiências sociais e, consequentemente, a consciência social. É uma maneira de manter todos visando uma realidade aparente, alienados dentro de um sistema. No filme, segundo o diretor, o medo representa essa elite que se cega perante o mundo real, vendo apenas moradores de rua, já mencionados, como vilões da história.

O filme está passando na Reserva Cultural aqui, em São Paulo, na Av. Paulista.

Aqui vai uma entrevista que ocorreu com o diretor do filme no programa Metrópolis, da TV Cultura.

Aproveitem esse restinho de domingo!

 

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Desconstrua SP

Helena Verri

Ufa, que dia. Acho que depois de sentar e refletir sobre o que foi o dia de hoje, uma palavra que define minha sensação atual é: uau. Uau em todos os sentidos: admiração, surpresa, confusão. Agora entendi porque todos dizem que a cidade de São Paulo é caótica: ela te deixa de cabeça para baixo, num estado de constante pressa, excitação, num ritmo contado. Eu pertenço ao grupo 7 e comecei o dia indo para o extremo leste da cidade, na comunidade de São Mateus. Juntando isso com a breve greve de ônibus que aconteceu, foi algo que realmente me captou a atenção. Em São Mateus, há uma atmosfera completamente fora da bolha em que vivo. São pessoas humildes mas muito intensas, com muita cultura para oferecer e que geram uma troca entre nós, alunos, e eles muito produtiva.

Fomos visitar o Museu a Céu Aberto, uma galeria de grafites nos muros das simples casas que retratam majoritariamente o homem e mulher negros e suas casas e rotinas. É um projeto organizado pelo O.P.N.I. (Objetos Pixadores Não Identificados), um conjunto de rappers, grafiteiros e voluntários da comunidade que se juntam para promover um movimento cultural no espaço. Desde oficinas de artesanato a convites de grandes e renomados grafiteiros do exterior.

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Grafite em São Mateus

Uma das falas mais marcantes de Val, grafiteiro do O.P.N.I, foi esta que selecionei:

A gente busca impor aquilo que não existia na comunidade. Quando você ia ter arte aqui? E além de abrir espaço para discussões artisticamente e socialmente. A partir do momento em que temos arte e cultura, vemos o mundo de forma plena. E é por isso que buscamos reivindicar nossos direitos: porque todo mundo pode fazer arte.”

Andamos de metrô, ônibus, Uber (quando a greve se instalou na cidade). Direto da Zona Leste e periferia de São Paulo, fomos para Vila Madalena e Pinheiros. Que diferença. O visual de uma série de casas coladas umas às outras muda para uma paisagem de comércios populares e tradicionais juntamente com prédios e lojas modernas e na moda. E tudo na mesma cidade.

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Grafite no Beco do Batman

Depois desse trajeto intenso, consegui junto com meu grupo parar e refletir: São Paulo, o que você precisa é se desconstruir. De tudo: dos padrões sociais impostos, dos prédios de concreto e aço. É preciso quebrar barreiras entre regiões para que a comunicação cultural aconteça, que nos misturemos, nos conheçamos mais. E como identidades tão diferentes são formadas em uma mesma cidade? Bom, nem há resposta para essa pergunta. O que importa é saber quais são essas identidades. 

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Grafite em São Mateus
Fotos de: Helena Verri