Agradecimentos à Basquiat

Manhattan, 1977. Um garoto afro-americano de 17 anos saía encondido com seu amigo para pintar nos muros. Era o tal do “grafite”que faziam. E seu nome: Jean-Michel Basquiat. 

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Fonte: http://www.subsoloart.com/blog/wp-content/uploads/2012/03/Graffiti-SAMO-de-Jean-Michel-Basquiat-nos-anos-80-Estados-Unidos-3.jpg

Um dos primeiros grafiteiros do mundo que influenciou na ascensão da arte de rua. Só depois da juventude que levou os traços rígidos e transgressores das ruas para as telas e para as quatro paredes dos museus. Assim começava sua fase de arte neo-expressionista, junto com grandes amizades, como com Madonna e Andy Warhol.

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Fonte: http://pixel.nymag.com/imgs/daily/vulture/2015/05/04/seen/04-michael-halsband.w1200.h630.jpg

Essa arte que foi financiada por grandes investidores, alavancando sua carreira como artista, é caracterizada por ter personagens apavorados, com policiais, cenário urbano intenso e pinceladas nervosas. Além disso, ícones da música afro também eram retratados em quase todas suas obras. Sem falar nas cores fortes e escritas indecifráveis que remetem à cultura hip-hop e do grafite, que consolidou a base artística de Basquiat.

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Fonte: http://www.bontempo.com.br/wp-content/uploads/2015/02/jean-michel-basquiat-7.jpg

Havia também uma ideia de trazer uma concepção de arte completamente diferente daquilo que foi mostrado no passado, dessacralizando ícones da arte clássica, como a própria MonaLisa.

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Fonte: https://mnm162ag7.files.wordpress.com/2016/07/cb0b6-mona2blisa2bbasquiat.jpg

Infelizmente, com o consumo excessivo de drogas e a perda de um grande amigo com sobrenome Warhol, Basquiat entra no mundo da perdição e morre em 1988 por overdose de heroína.

Mesmo assim, obrigado Basquiat. Nós agradecemos pela sua coragem e ousadia de desafiar as circunstâncias sociais e físicas da sua época, pintando nos muros de Manhattan. Sem a sua atitude transgressora, talvez nunca tivéssemos hoje em dia uma cidade cheia de grafites. Com certeza, o seu desejo não foi cumprido em vão. 

 

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Só uma gota

Olá pessoal! Nosso grupo escreveu recentemente uma crônica argumentativa chamada “Só uma gota”e gostaríamos de compartilhá-la com vocês! O tema é a arte como mecanismo de transformação social e cultural no ambiente da cidade. Esperamos que gostem!


Feio, simples demais, não compreensível. Algumas das palavras que descrevem o que alguns acreditam da arte nos dias de hoje, seja qual for. Mais comum do que imaginamos, a arte às vezes é repulsão para uns, que não acreditam em seu potencial ou a associa com outros elementos pejorativos como drogas, luxúria, diversão abusada. Recentemente, nós nos deparamos com Negotinho, um rapper da comunidade de São Mateus que faz parte de uma organização chamada “São Mateus em movimento” com a tentativa de alimentar a cultura do local com movimentos artísticos, educativos para todos. Foi falando com ele que nós realmente paramos para pensar no valor da arte. É com pesar que dizemos que existem pessoas que pensam nessa linguagem como um desvio do certo. Negotinho conseguiu provar o quanto ela é importante para mudar a vida de muitos e conectar pessoas, mudando definitivamente a vida de muitos jovens que não possuem tantas oportunidades de acessar o conhecimento e a cultura.

A arte é como um pingo de tinta que se dilui na água. Ela é transformadora, educativa, que ao chegar numa comunidade impede que muitas das crianças e jovens se voltem para um caminho mais obscuro como o tráfico de drogas. Ela, como a tinta, modifica o tom do local, colorindo a vida das pessoas. E o mais importante: ainda que mude a forma de vida de todos, a essência e personalidade do espaço não mudam. A água com tinta não deixa de ser água. Só passa a ser um líquido bem mais bonito que anteriormente. É uma forma de expressão que preserva as origens do local e, ao mesmo tempo, trilha um outro caminho para a comunidade.

Além de transformadora, a arte conecta pessoas, alcança todas as idades. Dançar capoeira, pintar nas paredes, tocar um instrumento. Qualquer pessoa pode fazê-lo e quando o faz, certamente passa a conhecer outros com a mesma afinidade artística. Lembram da gota de tinta diluída na água? Funciona da mesma maneira. Assim que a gota de azul anil toca o líquido, ela inicia uma jornada evasiva, alcançando todas as partes da água, colorindo-a. Espalha-se. Conecta.

É por isso, nossos queridos leitores, que dizemos a vocês sempre que podemos: valorize a arte. Negotinho nos ensinou o quão importante ela é para sua vida e para a de seus amigos. Sem o rap e o grafite, por exemplo, talvez não teria conseguido esquecer a dor de ter seu pai longe. Portanto, joguemos quanto quisermos de tinta na água. Quem sabe fazemos disso uma bela pintura aquarela.

 

Atuantes sobre a cidade de São Paulo

Luca Coimbra – 

Entrei na Móbile este ano, mas desde as reuniões com os diretores durante o ano passado ouvia falar sobre o Grande Mobile na Metrópole, o trabalho anual do segundo ano.

Confesso que a princípio não fiquei muito animado com a proposta de ir para um estudo do meio na cidade em que moro. Mas durante as primeiras semanas de aula fomos introduzidos a alguns projetos de anos anteriores, e palestras de alunos que se envolveram com o projeto profundamente, e isso fez com que minhas expectativas invertessem.

Hoje sinto que vou ter a oportunidade não apenas de conhecer melhor “A Selva de Pedra”, mas de vivê-la como um todo.

Minhas expectativas são que, vou deixar de ser apenas um morador de São Paulo e se tornar um participante da vida da maior cidade da América latina. Espero também poder aprender mais sobre o tema do meu grupo, e poder apresentar um bom projeto, para que meus colegas compreendam tanto quanto eu o tema trabalhado pelo meu grupo.