Enivio e a valorização das origens

Paulistano de 28 anos, vindo do Grajaú na zona sul da cidade, Enivio foi aquele cara que desde a infância teve contato com a arte de rua. Começou como uma brincadeira de menino, e hoje virou uma de suas profissões. Enivio é também sócio e fundador da galeria na Vila Madalena chamada A7ma, atuando como curador e fomentador de eventos.

Assim como grande parte dos grafiteiros, Enivio também vivenciou intolerâncias em relação ao seu grafite nas ruas de São Paulo. Por exemplo, teve um de seus grafites apagados na Avenida Paulista por estudantes de Medicina da USP, para a divulgação de uma festa. Veja o que o artista disse a respeito: “Esses estudantes fazem isso há anos, mas acho bobo usar o espaço para divulgar uma festa, enquanto estão rolando tantas coisas na cidade em questão de política e meio ambiente. Faz mais de dez anos que pinto ali e já tive meu trabalho apagado duas ou três vezes por causa do mesmo evento.”. 

Ainda também numa entrevista para a Revista Veja, Enivio comentou sobre a constante criminalização do grafite em São Paulo: ” A arte de rua está com tudo em São Paulo. A prefeitura está aceitando esse momento, e a polícia está ciente do que é o grafite. Mesmo assim, quando ocorre uma denúncia, tem abordagem. Nesta semana, eu estava pintando na Avenida 23 de Maio em horário de pico e uma pessoa passou e gritou, me xingando. Eu estava concentrado, é uma avenida perigosa. Com o susto, fui virar para ver o que estava acontecendo e torci meu joelho. A pessoa vê a ação, com o spray na mão e não imagina o trabalho final. Depois eles vão passar e achar o desenho legal, mas muita gente não entende o processo.”. Além disso, Enivio disse algo que nos chocou bastante, por ser verdade: as pessoas hoje têm medo de encarar a cidade como ela é, com grafites por toda parte.

Enivio é caracterizado por retratar em seus desenhos meninos das ruas, da periferia, remetendo a sua infância no Grajaú. Valoriza muito, portanto, as suas origens. 

Veja o vídeo abaixo que relata um pouco o dia-a-dia do grafiteiro:

A intolerância para Leandro Karnal

Olá pessoal! Hoje tivemos uma aula de Filosofia a respeito da tolerância e intolerância associada ao recebimento contínuo de informação no mundo atual. Sabemos, fiquem tranquilos, que esse tema não parece ser tão simples! Mas o historiador Leandro Karnal, com uma entrevista feita ao jornal NH, facilitou isso pra gente!

A primeira parte da entrevista que achamos interessante para discutirmos foi a qual ele mencionou dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. A passiva seria aquela na qual as pessoas dizem respeitar as divergências. A ativa é quando as pessoas, além de entenderem as diferenças, acreditam que um ambiente com maior diversidade é realmente o melhor para se ter. É, como Karnal disse, “ter a diversidade como princípio“.

Outra análise bastante interessante foi quando o historiador encaixou esse tema dentro do mundo tecnológico e digital de hoje. A internet é, por exemplo, uma ferramenta que impulsiona as pessoas a intervirem com suas opiniões. Isso porque ela dá a ideia de “falsa formação”.

Como assim? Bom, hoje em dia é bastante comum as pessoas confundirem conhecimento com a quantidade de informação recebida. Portanto, basta todos nós termos acesso a uma série de banco de dados para nos considerarmos formados e mestres em diversos temas. Porém, como sabiamente diz Karnal, “não é porque toda a literatura está disponível na internet é que nos tornaremos escritores e críticos, ou bom leitores”. Assim, com essa ideia concebida de que temos todo o conhecimento do mundo, nem pensamos duas vezes: já metralhamos os outros com nossas opiniões pré-concebidas e mal fundamentadas.

É aí que surge a intolerância. Dentro de uma bolha de ignorância que prende as pessoas em uma zona de conforto. Ficando difícil, assim, sair desse mundo de opiniões alheias e discordâncias profundas.

O que concluímos a respeito de tudo isso foi que nós precisamos de mais humanidade dentro de nós. É preciso parar de classificar as coisas e dar sua opinião imediata só por ter informação. É preciso ouvir, respeitar, tolerar. Sejamos aqueles tolerantes ativos. 

Veja abaixo o trecho da entrevista com Leandro Karnal: