Louvre que nada: queremos Art 42

Oi pessoal, boa noite! Hoje vimos uma reportagem super bacana a respeito de um novo museu de arte urbana, o primeiro na história, que abriu recentemente em Paris. Ele engloba 150 trabalhos, como o de Banksy, o tão polêmico grafiteiro britânico (se você não se lembra quem ele é, veja esse post sobre o festival onde seu trabalho foi exposto: Upfest).

A construção desse museu parte de vários acontecimentos na cidade onde a arte urbana tomou conta da arte clássica, como na vez em que o Louvre foi alvo de uma exploração urbana, ou mesmo quando vários grafiteiros tomaram as paredes na Vila Medici.

Alguns especialistas veem esse surgimento e afloramento da arte urbana como um aburguesamento da arte, ao torná-la mais acessível a um público popular e menos elitista.

O museu visa não apenas juntar a visão transgressora do street arte, essência intensamente explorada nos anos 60 e 70 nos EUA, como também mostrar como esta está ligada a trabalhos em ateliês e exposições.

Ainda que esse seja um grande passo tomado pelos artistas, muitos dizem que, em termos de reconhecimento, há muito ainda do que esperar. Há certa rejeição por parte das instituições, porém estas deveriam perceber que o grafite deixou de ser a “arte do terreno baldio “para tomar conta dos muros de todas as metrópoles mundiais.

Ainda que estas obras estejam cercadas de quatro paredes, todos os artistas reconhecem que a inspiração ainda vem da rua, e de lá nunca sairá. O que lhes resta é esperar que suas ações sejam completamente legalizadas pelos diversos governos ao redor do mundo para poderem livremente aproveitar deste espaço.

Fonte das imagens:

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Celebração com grafite

Oi galera! Hoje viemos falar de um projeto feito pelos moradores do bairro de São Miguel Paulista, que faz este mês 394 anos! Para comemorar esta data, com o apoio da lei Rouanet, os moradores decidiram pintar, em um muro de 1km, a história do bairro usando apenas o grafite como linguagem! O projeto contou com a participação de 25 grafiteiros, que iniciaram seu trabalho dia 11 de julho e o concluíram cerca de um mês depois. E logo após a conclusão já começou a ser amplamente elogiado por quem vive na região. É muito bonito para nós ver o reconhecimento e apreciação que o grafite anda recebendo pelos moradores de São Paulo, pois este há não muitos anos atrás não era nem visto como arte, e hoje já é até utilizado em projetos financiados pelo governo. Colocamos abaixo um link para mais informações sobre esta história contada com pinturas.

Clique aqui para ver mais informações !

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Foto de: http://mural.blogfolha.uol.com.br/2016/07/13/historia-de-sao-miguel-sera-contada-por-grafites-em-muros-do-bairro/

Lei Maria da Penha e o grafite

Terça-feira, dia 08/08/16, a Lei Maria da Penha fez 10 anos. Aqui em São Paulo, grafiteiros resolveram homenageá-la com um painel no centro da cidade, na rua Conde de Sarezas.O painel conta com a imagem de várias mulheres e com o rosto da Maria da Penha. O que chamou nossa atenção, além da linda homenagem, foi que quem assinou o mural de grafites foi o grupo OPNI, já mencionado no blog anteriormente neste post aqui: Desconstrua SP. Quando fizemos nossa viagem do Estudo do Meio, passeamos por São Mateus, local da perifeira onde o grafite é muito valorizado como transformador social, e impulsionado pelo grupo OPNI.

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Fonte da imagem: http://imguol.com/c/entretenimento/e0/2016/08/09/grafite-em-homenagem-aos-10-anos-da-lei-maria-da-penha-foi-inaugurado-nesta-terca–feira-8-1470773632008_956x500.jpg

Mas, enfim, do que se trata essa lei? Bom, a lei foi assinada em 2006, com a intenção de diminuir os casos de violência doméstica contra a mulher no Brasil. O projeto partiu de um caso com a farmacêutica Maria da Penha, que sofreu severos danos em casa, tornando-se paraplégica. Veja o vídeo abaixo que conta um pouco mais sobre a lei:

 

Num blog que trata sobre intolerâncias na cidade de São Paulo, nada mais cabível do que a violência contra a mulher que ocorre diariamente, infelizmente. Acreditamos que atitudes como essa, dos grafiteiros, de perpetuarem nos muros mulheres e um projeto tão importantes, são o que fazem valer a pena viver na cidade. Melhora nossa tolerância. Nos faz enxergar o mundo com outros olhos. Olhos que visualizam um mundo muito mais claro e harmônico, melhorando nossa convivência. 

“The Get Down” e o surgimento do hip-hop

Boa noite gente! O post de hoje trata de uma notícia que nos deixou super animados, principalmente porque tem muito haver com o nosso tema no projeto. Hoje, dia 12/08 estreia no Netflix a série “The Get Down”que mostra o surgimento do hip hop nos anos 70 nos Estados Unidos. 

A série mostra um grupo de jovens, uma gangue, do South Bronx, que precisam enfrentar as diversas dificuldades da vida em meio ao caos da cidade de Nova Iorque. São pessoas que se armam com sprays e tintas, rimas e versos para mudarem suas vidas.

Dirigida pelo australiano Baz Luhrman, a série estreia com grande expectativa após o sucesso tão fenomenal de “Stranger Things”, também produzida pelo Netflix.

Veja abaixo o trailer, e pegue sua pipoca para já começar a maratona!

Enivio e a valorização das origens

Paulistano de 28 anos, vindo do Grajaú na zona sul da cidade, Enivio foi aquele cara que desde a infância teve contato com a arte de rua. Começou como uma brincadeira de menino, e hoje virou uma de suas profissões. Enivio é também sócio e fundador da galeria na Vila Madalena chamada A7ma, atuando como curador e fomentador de eventos.

Assim como grande parte dos grafiteiros, Enivio também vivenciou intolerâncias em relação ao seu grafite nas ruas de São Paulo. Por exemplo, teve um de seus grafites apagados na Avenida Paulista por estudantes de Medicina da USP, para a divulgação de uma festa. Veja o que o artista disse a respeito: “Esses estudantes fazem isso há anos, mas acho bobo usar o espaço para divulgar uma festa, enquanto estão rolando tantas coisas na cidade em questão de política e meio ambiente. Faz mais de dez anos que pinto ali e já tive meu trabalho apagado duas ou três vezes por causa do mesmo evento.”. 

Ainda também numa entrevista para a Revista Veja, Enivio comentou sobre a constante criminalização do grafite em São Paulo: ” A arte de rua está com tudo em São Paulo. A prefeitura está aceitando esse momento, e a polícia está ciente do que é o grafite. Mesmo assim, quando ocorre uma denúncia, tem abordagem. Nesta semana, eu estava pintando na Avenida 23 de Maio em horário de pico e uma pessoa passou e gritou, me xingando. Eu estava concentrado, é uma avenida perigosa. Com o susto, fui virar para ver o que estava acontecendo e torci meu joelho. A pessoa vê a ação, com o spray na mão e não imagina o trabalho final. Depois eles vão passar e achar o desenho legal, mas muita gente não entende o processo.”. Além disso, Enivio disse algo que nos chocou bastante, por ser verdade: as pessoas hoje têm medo de encarar a cidade como ela é, com grafites por toda parte.

Enivio é caracterizado por retratar em seus desenhos meninos das ruas, da periferia, remetendo a sua infância no Grajaú. Valoriza muito, portanto, as suas origens. 

Veja o vídeo abaixo que relata um pouco o dia-a-dia do grafiteiro:

Dica cultural: fim de férias!

Oi pessoal! Como toda sexta-feira à tarde, viemos aqui dar algumas dicas para todos nós aproveitarmos ao máximo este último final de semana de férias! Isso mesmo, o descanso está acabando, infelizmente. Nada como boas exposições e passeios pela cidade! Vejam abaixo:

Exposição “Eu amo São Paulo”– Uma exposição fotográfica que reúne fotos de profissionais e amadores desafiados a registrarem o seu olhar sob a metrópole! Reunindo 507 imagens, houve uma verdadeira representação do que é a cidade em que moramos: pulsante, tendo na diversidade a sua grande beleza. Veja as informações abaixo sobre o evento:

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Retirada do site: http://www.guiadasemana.com.br/evento/artes-e-teatro/eu-amo-sao-paulo-shopping-center-3-28-07-2016

Exposição “Atlas Fotográfico da Cidade de São Paulo”– Com 203 imagens de Tuca Vieira, este evento busca retratar a expansão territorial da cidade e as suas distintas faces que a tornam única. Veja abaixo mais informações:

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Retirada do site: http://guia.uol.com.br/sao-paulo/exposicoes/detalhes.htm?ponto=atlas-fotografico-da-cidade-de-sao-paulo_4106349786

Grafitti em Celofane, Sesc – Ao longo de quatro cidades, como Itaquaquecetuba, Diadema, São Caetano do Sul e Mauá, grafiteiros espalharam painéis de celofane que buscam a reflexão a respeito a apropriação do espaço público pelas artes visuais, tal como o grafite. É a conquista da cidadania por meio das artes. Veja abaixo mais informações:

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Retirada do site: http://www.sescsp.org.br/programacao/97053_GRAFFITI+EM+CELOFANE
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Retirada do site: http://www.sescsp.org.br/programacao/97053_GRAFFITI+EM+CELOFANE

 

Keith Haring e o grafite primitivo

Keith Haring (1958-1990), americano, jovem, indomável. Atualmente, é visto como um grande artista gráfico, iniciando seus trabalhos mais reconhecidos com o grafite nova-iorquino. Tudo isso muito ligado ao que ele foi também paralelamente: um ativista. 

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Keith Haring. Fonte: http://www.theage.com.au/content/dam/images/1/3/h/w/9/n/image.related.articleLeadwide.620×349.13hw75.png/1424227412175.jpg

Keith iniciou seus estudos com um curso de design gráfico, mas acabou mudando-se para a Nova Iorque dos anos 80 e foi fortemente influenciado por todos os grafites que havia nos muros. Após se matricular na School of Visual Arts, Haring começa a ganhar um certo reconhecimento quando pintou com giz as paredes do metrô nova-iorquino. Para vocês, leitores, terem uma ideia, outros grandes amigos de Keith Haring nesse momento eram Jean-Michel Basquiat (que tratamos neste post aqui: Agradecimentos à Basquiat) e Kenny Scharf. Todos eles tinhama algo em comum: apreciavam a arte transgressora e colorida que era o grafite nas paredes e muros.

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Haring e Basquiat – dois grandes amigos. Fonte: https://applesandazaleas.files.wordpress.com/2013/01/haring-basquiat.jpg

Dizem que Keith Haring foi logo reconhecido como artista pela sua arte com linhas rígidas e cores fortes, levando a todos um otimismo e energia positiva que nunca ninguém teria imaginado colocar nas ruas de Nova Iorque. Em 1986, quis que sua arte ficasse mais acessível ao público, abrindo assim uma loja com camisetas, pôsters, chamada Pop Shop in New York City’s Soho. 

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Uma das obras de Keith Haring. Fonte: http://cdn-homolog.editoraglobo.com.br.s3.amazonaws.com/lospantones/files/2012/05/keith_haring.png

E como a ocupação de ativista se encaixa nesse mundo que viemos descrevendo até agora? Bom, como muitos sabem, assim como Basquiat, Keith aproveitou a arte de rua para refletir a respeito de diversos temas da época. A homossexualidade foi um deles. Keith Haring assumiu-se homossexual e, a partir de então, mostrava em suas obras esse universo tão pouco conhecido na época.

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Umas das obras de Haring, tratando sobre a homossexualidade. Fonte: http://foundationblog.haring.com/wp-content/uploads/2015/06/Heritage_of_Pride_logo.jpg

Keith acabou morrendo por complicações com a doença que estourou nos anos 80: a AIDS. Antes de morrer, criou uma Fundação para ajudar as crianças vítimas de AIDS, chamada Keith Haring Foundation. Como um bom ativista, ele lutou muito para espalhar os perigos que a doença trazia às vítimas.

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Tributo ao artista em Houston Bowery Wall. Fonte: http://d2jv9003bew7ag.cloudfront.net/uploads/Keith-Haring-Houston-Bowery-Wall-Tribute.-photo-theredlist.jpg

Upfest

Ei galera! Bom dia! Recentemente, vimos em nossos snapchats que rolou um dos maiores festivais de street art do mundo nos últimos três dias (23,24 e 25 de julho). É o chamado Upfest, conhecido como o maior festival europeu de grafite e street art com mais de 300 artistas que passeiam por várias ruas de Bristol, Bedminster e Southville, no Reino Unido, grafitando e pintando. E como todo festival, além de você ver os artistas em ação, há palcos com música boa, venda de produtos de arte e workshops para o público aprender um pouco também da técnica dos artistas.

Entre os artistas desse ano tivemos Cheba, Fin DAC, SHOK-1 e muitos outros, como o brasileiro LM7!

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Obra feita por LM7. Foto tirada de: https://www.theguardian.com/artanddesign/gallery/2015/jul/27/upfest-2015-street-art-graffiti-festival-in-pictures

Bristol, uma das cidades por onde passam os artistas, é famosa por ser o local onde o pioneiro em street art Banksy nasceu.

O mais legal é que grande parte do dinheiro arrecadado com o festival vai para uma organização chamada Nacoa, que dá assistência às crianças com pais envolvidos com o alcoolismo.

Visite o site para ver mais fotos e conhecer mais artistas (Site: http://www.upfest.co.uk/):

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E para você ter uma ideia, veja o vídeo de uma das obras feitas no festival de 2012:

Smania e o grafite engajado

Oi gente, como está indo o Domingo de vocês? Vimos uma reportagem no site liberal.com.br a respeito de um grafiteiro chamado Leonardo Smania, de 21 anos, que espalha suas obras por Americana com um simples e importante propósito: protestar contra intolerâncias sociais e políticas, como o racismo.

Ele vem ganhando reconhecimento nesses últimos meses, conseguindo pintar em muros de escolas, jardins, etc. Para Smania, a arte de rua em geral já é uma forma de protesto. “A arte é muito livre – o grafite, a pichação são duas sementes da mesma árvore. E a ideia da pichação é de protesto”, disse o grafiteiro.

Sua arte ainda chama mais atenção por ser realista, já que é mais fácil das pessoas entenderem e se convencerem com a mensagem transmitida. Assim, quando ele pinta um menino negro com todas as expressões faciais visíveis, as pessoas, ao valorizarem e reconhecerem seu trabalho, acabam refletindo a respeito do racismo, do preconceito e outras intolerâncias apontadas no desenho.

Veja abaixo o vídeo que conta um pouco mais sobre o uso da arte de rua como forma de protesto e resistência:

As sereias de Manaus

Ainda este ano, foi feita uma reportagem com a grafiteira Deborah Erê para o G1 da Globo a respeito dos grafites que veio fazendo nos muros de Manaus, AM. O que chamou a atenção de todos foi que nos desenhos de Deborah havia sereias com rugas e corpos comuns, como mulheres reais.

A ideia era abrir um diálogo com todas as mulheres, que se identificariam com os grafites, abrindo uma discussão sobre a autonomia do corpo feminino e a imposição de padrões sociais. A artista se posicionou evidentemente contra a imposição de padrões de beleza e opressão feminina. Segundo Deborah, ela gostaria que as mulheres, ao olharem seu grafite, se sentissem poderosas e se reconhecessem naqueles desenhos.

Deborah também ressaltou o por quê escolheu uma sereia para colocar rugas, envelhecendo-a. “As sereias são sempre poderosas e ‘bonitas’ dentro do padrão de beleza. A gente sempre vê na rua muitas propagandas com mulheres modelos, mas nunca com uma velha, uma gorda. A ‘Senhora Sereia’ foi criada para representar essas mulheres. Eu queria que ela fosse velha, mas ao mesmo tempo demonstrasse beleza, sabedoria, poder. Uma mulher velha, mas linda e que reluz, brilha de sabedoria“, disse Deborah Erê.

Além de tratar sobre o corpo feminino, a grafiteira busca com suas obras mostrar a possibilidade da mulher de atuar em qualquer campo que deseja, inclusive nas ruas, espaço que também é do direito delas de usarem. Segundo Deborah, é preciso vencer também o machismo no ambiente onde trabalha.

Veja abaixo a “Senhora Sereia”:

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Fotos tiradas do site: http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2016/03/grafiteira-pinta-sereias-idosas-para-empoderar-mulheres-reais-no-am.html