Lei Maria da Penha e o grafite

Terça-feira, dia 08/08/16, a Lei Maria da Penha fez 10 anos. Aqui em São Paulo, grafiteiros resolveram homenageá-la com um painel no centro da cidade, na rua Conde de Sarezas.O painel conta com a imagem de várias mulheres e com o rosto da Maria da Penha. O que chamou nossa atenção, além da linda homenagem, foi que quem assinou o mural de grafites foi o grupo OPNI, já mencionado no blog anteriormente neste post aqui: Desconstrua SP. Quando fizemos nossa viagem do Estudo do Meio, passeamos por São Mateus, local da perifeira onde o grafite é muito valorizado como transformador social, e impulsionado pelo grupo OPNI.

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Fonte da imagem: http://imguol.com/c/entretenimento/e0/2016/08/09/grafite-em-homenagem-aos-10-anos-da-lei-maria-da-penha-foi-inaugurado-nesta-terca–feira-8-1470773632008_956x500.jpg

Mas, enfim, do que se trata essa lei? Bom, a lei foi assinada em 2006, com a intenção de diminuir os casos de violência doméstica contra a mulher no Brasil. O projeto partiu de um caso com a farmacêutica Maria da Penha, que sofreu severos danos em casa, tornando-se paraplégica. Veja o vídeo abaixo que conta um pouco mais sobre a lei:

 

Num blog que trata sobre intolerâncias na cidade de São Paulo, nada mais cabível do que a violência contra a mulher que ocorre diariamente, infelizmente. Acreditamos que atitudes como essa, dos grafiteiros, de perpetuarem nos muros mulheres e um projeto tão importantes, são o que fazem valer a pena viver na cidade. Melhora nossa tolerância. Nos faz enxergar o mundo com outros olhos. Olhos que visualizam um mundo muito mais claro e harmônico, melhorando nossa convivência. 

Minidoc – o processo de criação

Oi galera, tudo bom? Hoje viemos aqui falar com vocês um pouco a respeito do processo de criação do nosso tão esperado minidoc! Isso mesmo, as produções já estão a todo vapor! Para vocês terem uma noção melhor, vamos dividir esse post em duas categorias: primeiro, falaremos das entrevistas, segundo das edições e aspectos técnicos. Vamos lá!

Começamos a fazer as entrevistas nas férias ainda, por exemplo a que postamos no instagram do blog, com o grande grafiteiro Binho Ribeiro. Depois, ainda conseguimos entrevistas com cidadãos na Vila Madalena e com um urbanista até agora. E, como um grupo, percebemos que em todas elas é incrível o quanto conseguimos aprender bastando uma conversa com outra pessoa de outra idade ou ocupação. Por exemplo: falamos com um grafiteiro na Vila Madalena que conhece bastante o pixo na cidade de São Paulo. Ele, tomando seu café do dia, conversava naturalmente de como a arte hoje em dia é subjulgada e padronizada de um modo voltado ao mercado financeiro e aos padrões sociais. Na hora lembramos das aulas que tivemos na Escola com nossa professora Teresa sobre o capitalismo e os padrões na sociedade que surgiram, por exemplo, na Revolução Industrial. Ele nos fez repensar o modo como entramos numa galeria e apreciamos a arte. E questionar: porque tudo que é arte é aquilo que estão nos quadros? E as paredes, muros? E o chão?

Outra entrevista muito interessante que tivemos foi a com o Urbanista Eduardo Nobre, professor/doutor pela FAU. Ficamos realmente impressionados com seu conhecimento da história de São Paulo e sua noção explícita sobre a relação entre cidadão e cidade. Como a cidade deve funcionar para os cidadãos, e não contra eles, como muitas vezes acontece. Enfim, acho que acabamos por aqui as entrevistas, senão estragaremos as surpresas do minidoc!

Seguindo em frente para a segunda categoria, falaremos um pouco sobre as edições do minidoc. Ufa! Primeiramente, tratando da filmagem em si, há diversos fatores para considerar: posicionamento, plano de fundo, iluminação e o mais importante – o áudio. Ah, o tão odiado áudio! Como é difícil fazê-lo ficar perfeito! Muito estourado, baixo demais, muito ruído: dificílimo acertar em cheio. Felizmente, conseguimos um microfone praticamente profissional que salvou nossas vidas! Além do áudio, percebemos quão difícil é selecionar as imagens para cada parte do minidoc ficar perfeita e coerente com a narração. É realmente um trabalho muito minucioso, que requer tempo e paciência. E que nos deixou um pouco doidos depois de ouvirmos tanto tempo as mesmas entrevistas!

Concluindo, tem sido um tempo bastante produtivo e cansativo criar esse minidoc. O que esperamos a partir de agora: coragem para produzí-lo, e que ele fique muito lindo e consiga passar praticamente tudo o que nós estamos vivendo hoje. E que transmita a mensagem por trás de todas as nossas pesquisas até então, a respeito das (in)tolerâncias presentes na cultura hip-hop.

Veja algumas imagens das filmagens:

Ps: vocês saberão quem são os entrevistados somente no minidoc, para não acabar com a surpresa!

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“The Get Down” e o surgimento do hip-hop

Boa noite gente! O post de hoje trata de uma notícia que nos deixou super animados, principalmente porque tem muito haver com o nosso tema no projeto. Hoje, dia 12/08 estreia no Netflix a série “The Get Down”que mostra o surgimento do hip hop nos anos 70 nos Estados Unidos. 

A série mostra um grupo de jovens, uma gangue, do South Bronx, que precisam enfrentar as diversas dificuldades da vida em meio ao caos da cidade de Nova Iorque. São pessoas que se armam com sprays e tintas, rimas e versos para mudarem suas vidas.

Dirigida pelo australiano Baz Luhrman, a série estreia com grande expectativa após o sucesso tão fenomenal de “Stranger Things”, também produzida pelo Netflix.

Veja abaixo o trailer, e pegue sua pipoca para já começar a maratona!

Enivio e a valorização das origens

Paulistano de 28 anos, vindo do Grajaú na zona sul da cidade, Enivio foi aquele cara que desde a infância teve contato com a arte de rua. Começou como uma brincadeira de menino, e hoje virou uma de suas profissões. Enivio é também sócio e fundador da galeria na Vila Madalena chamada A7ma, atuando como curador e fomentador de eventos.

Assim como grande parte dos grafiteiros, Enivio também vivenciou intolerâncias em relação ao seu grafite nas ruas de São Paulo. Por exemplo, teve um de seus grafites apagados na Avenida Paulista por estudantes de Medicina da USP, para a divulgação de uma festa. Veja o que o artista disse a respeito: “Esses estudantes fazem isso há anos, mas acho bobo usar o espaço para divulgar uma festa, enquanto estão rolando tantas coisas na cidade em questão de política e meio ambiente. Faz mais de dez anos que pinto ali e já tive meu trabalho apagado duas ou três vezes por causa do mesmo evento.”. 

Ainda também numa entrevista para a Revista Veja, Enivio comentou sobre a constante criminalização do grafite em São Paulo: ” A arte de rua está com tudo em São Paulo. A prefeitura está aceitando esse momento, e a polícia está ciente do que é o grafite. Mesmo assim, quando ocorre uma denúncia, tem abordagem. Nesta semana, eu estava pintando na Avenida 23 de Maio em horário de pico e uma pessoa passou e gritou, me xingando. Eu estava concentrado, é uma avenida perigosa. Com o susto, fui virar para ver o que estava acontecendo e torci meu joelho. A pessoa vê a ação, com o spray na mão e não imagina o trabalho final. Depois eles vão passar e achar o desenho legal, mas muita gente não entende o processo.”. Além disso, Enivio disse algo que nos chocou bastante, por ser verdade: as pessoas hoje têm medo de encarar a cidade como ela é, com grafites por toda parte.

Enivio é caracterizado por retratar em seus desenhos meninos das ruas, da periferia, remetendo a sua infância no Grajaú. Valoriza muito, portanto, as suas origens. 

Veja o vídeo abaixo que relata um pouco o dia-a-dia do grafiteiro:

A intolerância para Leandro Karnal

Olá pessoal! Hoje tivemos uma aula de Filosofia a respeito da tolerância e intolerância associada ao recebimento contínuo de informação no mundo atual. Sabemos, fiquem tranquilos, que esse tema não parece ser tão simples! Mas o historiador Leandro Karnal, com uma entrevista feita ao jornal NH, facilitou isso pra gente!

A primeira parte da entrevista que achamos interessante para discutirmos foi a qual ele mencionou dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. A passiva seria aquela na qual as pessoas dizem respeitar as divergências. A ativa é quando as pessoas, além de entenderem as diferenças, acreditam que um ambiente com maior diversidade é realmente o melhor para se ter. É, como Karnal disse, “ter a diversidade como princípio“.

Outra análise bastante interessante foi quando o historiador encaixou esse tema dentro do mundo tecnológico e digital de hoje. A internet é, por exemplo, uma ferramenta que impulsiona as pessoas a intervirem com suas opiniões. Isso porque ela dá a ideia de “falsa formação”.

Como assim? Bom, hoje em dia é bastante comum as pessoas confundirem conhecimento com a quantidade de informação recebida. Portanto, basta todos nós termos acesso a uma série de banco de dados para nos considerarmos formados e mestres em diversos temas. Porém, como sabiamente diz Karnal, “não é porque toda a literatura está disponível na internet é que nos tornaremos escritores e críticos, ou bom leitores”. Assim, com essa ideia concebida de que temos todo o conhecimento do mundo, nem pensamos duas vezes: já metralhamos os outros com nossas opiniões pré-concebidas e mal fundamentadas.

É aí que surge a intolerância. Dentro de uma bolha de ignorância que prende as pessoas em uma zona de conforto. Ficando difícil, assim, sair desse mundo de opiniões alheias e discordâncias profundas.

O que concluímos a respeito de tudo isso foi que nós precisamos de mais humanidade dentro de nós. É preciso parar de classificar as coisas e dar sua opinião imediata só por ter informação. É preciso ouvir, respeitar, tolerar. Sejamos aqueles tolerantes ativos. 

Veja abaixo o trecho da entrevista com Leandro Karnal:

 

Projota e a intolerância

Oi gente, tudo bom? Hoje viemos aqui falar sobre uma entrevista que o rapper Projota deu ano passado, publicada no site http://www.heloisatolipan.com.br/musica/projota-analisa-o-rap-vai-contra-a-reducao-da-maioridade-penal-fala-de-drogas-e-racismo-a-gente-sente-que-e-tratado-diferente/. Vindo da Zona Norte de São Paulo, o MC começou compondo rock e, somente aos 15 anos, entrou em contato com o CD dos Racionais MC’S e se apaixonou pelo rap.

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(Clique aqui para a fonte da foto)

Segundo o rapper, no início de sua carreira, marcado por ele ganhando batalhas de improviso, a grande dificuldade que teve era ganhar dinheiro para sustentar-se. Muita pouca gente, segundo ele, colaborava para seu futuro como artista. Gravava suas músicas no seu próprio computador, por exemplo.

Além da dificuldade financeira, o racismo pelo qual ele e outros amigos passam é, infelizmente, algo bastante real. Segundo ele, quando ainda ia para a faculdade, pegando o ônibus vazio, nunca conseguia ter alguém que sentasse ao seu lado. Todos os dias. Hoje, felizmente, com seu reconhecimento estrondoso, o cantor já não passa por tantos perrengues. Ainda assim, ele disse na entrevista: “A gente sente que é tratado diferente“.

Por fim, uma última parte interessante da conversa com Projota foi quando o entrevistador perguntou como ele se sentia com uma parte da população tendo preconceitos com o gênero rap. Muitos, segundo este, acham que é para vagabundos e maconheiros. Projota respondeu que sim, ainda existe o preconceito, ainda que ele seja mal fundamentado, pois ele e muitos outros rappers como Emicida e Marechal, não fumam ou usam drogas.

Atualmente, Projota anda bastante na mídia. Isso porque compôs a música tema das Olimpíadas, junto com Thiaguinho, chamada “Alma e Coração”. Veja abaixo o clipe: