São Paulo invisível

Oi pessoal, tudo bom? Aqui quem tá falando é a Helena! Essa semana escutei uma história no rádio sobre um morador de rua na cidade de São Paulo. Foi bastante comovente e triste pensar que, hoje em dia, essa metrópole está cheia de pessoas nessa mesma situação. Foi aí que eu fui pesquisar um pouco mais sobre o movimento chamado “São Paulo invisível”, que trouxe essa e muitas outras histórias de moradores de ruas para as redes sociais.

Esse movimento busca dar voz e reconhecimento a diversos moradores de rua, publicando suas histórias no facebook, instagram, etc. Iniciou-se na metrópole paulistana mas hoje em dia já está fervendo em muitas outras cidades pelo Brasil, como Manaus, Salvador.

O mais interessante é que, ainda que haja uma certa comoção por estarmos tratando de condições muito difíceis de vida, o criador do movimento não procurou em nenhum momento dar uma carga dramática a esse projeto. Pelo contrário: os moradores têm total liberdade de dizer o que pensam e o que sentem, como se estivessem dialogando.

Além disso, tudo isso chamou a minha atenção porque nos evidencia mais uma intolerância na cidade. A intolerância aos moradores de rua. Que não são poucos. Que não são objetos. Que não são invisíveis. 

É por isso que eu deixo aqui o link pro site do movimento http://spinvisivel.com/ para vocês darem uma olhada, vale a pena! É mais uma mobilização dos cidadãos que busca desmistificar a presença de moradores nas ruas. Ampliando, assim, nossa visão sobre a cidade.

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Printscreen do site do movimento.

-Helena Verri

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Dica cultural: livros sobre grafite

Bom dia! Pesquisamos um pouco e viemos aqui falar sobre alguns livros que falam sobre o grafite e a street art no geral. Pegamos algumas referências de dois sites: http://www.guiadasemana.com.br e http://www.designculture.com.br. Colocamos também onde se pode encontrá-los e o seu preço! Aproveitem que as férias estão chegando para começar a ler!

O mundo do Grafite, de Nicholas Ganz. 

Traz mais de 2000 imagens de grafites ao redor de 5 continentes, com experiências e depoimentos de alguns dos artistas. A leitura é bastante interessante, e você não precisa ser um conhecedor de street art para fazê-la.

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Fonte: http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/294/15015294.jpg

Onde comprar: Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br)

Preço: R$ 104,90 em até 3x de 34,97.


Grafitti – intervenção urbana e arte, de Anita Rink. 

Traz uma reflexão maior para seus leitores ao tratar do grafite e street art dentro de uma sociedade capitalista, contrastando com a lógica e modo de produção de tal. Super interessante ao retratar a arte urbana como algo que democratiza os espaços públicos, promovendo solidariedade e colaboração em cada ação de intervenção.

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Fonte: http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/379/42130379.jpg

Onde comprar: Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br)

Preço: R$ 52,00.


Estética Marginal volume II, de Allan Szacher com contribuição de Victor Moriyama e Felipe Lopez. 

Livro com vários volumes, que traz dentre eles vários críticos e artistas do grafite. Neste segundo volume, especificamente, temos grafiteiros pioneiros brasileiros, como Zezão. Temos entrevistas, fotografias ao redor da cidade de São Paulo.

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Fonte: http://www.zupi.com.br/wp-content/uploads/2012/09/cap_02.jpg

Onde comprar: Loja Koralle (http://www.koralle.com.br) ou Estante Virtual (http://www.estantevirtual.com.br)

Preço: R$ 70,00.

 

As mulheres no rap

Ei galera, tudo bom? Diante dos diversos posts que fizemos até agora no blog, percebemos que faltava falar da presença das mulheres no mundo do rap, algo que vem crescendo bastante nos últimos anos. Até agora, vocês leitores, devem ter imaginado uma atmosfera muito masculinizada, já que só apresentamos grupos formados por homens ou mesmo artistas masculinos.

É por isso que escolhemos algumas mulheres importantes do rap para mostrar neste post. O site http://www.geledes.org.br montou uma lista com 7 mulheres influentes no rap nacional. Veja a seguir algumas dessas mulheres e suas histórias:

Odisseia das Flores – grupo formado em 2008 por Jo Maloupas, Leticia e Chai. São mulheres que sempre lutaram pela valorização feminina na sociedade. Um dos seus principais assuntos, caracterizando o seu rap-protesto, é o fato das mulheres não precisarem se objetificar para ganhar valor e serem vistas no mundo. Atualmente, além de compor canções, elas participam de vários eventos na periferia de São Paulo, com trabalhos sociais e eventos culturais. Inclusive, no Móbile na Metrópole, visitamos São Mateus onde conhecemos um rapper chamado Negotinho, que conhecia muito bem as meninas. A luta delas ali na zona oeste é bastante reconhecida!

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As três integrantes do grupo. Foto retirada de: http://www.sescsp.org.br/files/programacao/fe6fc0b5-3b90-4e39-8865-5d836c1ae991.jpg

Amanda NegraSim – paulistana nascida em Cotia, sempre foi ensinada a valorizar a cultura negra e as mulheres negras. Trabalhava como repórter até entrar em contato com o mundo do rap, participando de vários grupos desde então. É reconhecida por mesclar vários estilos musicais brasileiros, já que sua própria família é formada por pessoas de diversas regiões. Veja o clipe de uma das músicas mais famosas de Amanda:

Dory de Oliveira – Rapper que faz parte do grupo Les Queens, considerado um dos únicos grupos de rappers negras e homossexuais do Brasil. Traz consigo canções mais intensas, com espírito de luta e resistência, ou como ela diz, “com um vocal mais agressivo”. Segundo ela, a participação das mulheres no rap e na sociedade é imprescindível: “As minas devem meter a voz, alguns homens não gostam de perder para uma mulher, nem todos vão admitir que as mina rimam mais que eles, por isso sempre colocam a gente em segundo plano mesmo. A mulher precisa se impor, com coragem e ousadia. Esse coletivos devem crescer mais. Eu quero ver a multiplicação das mulheres no rap, pois temos muito o que falar.” (retirado de: http://www.bocadaforte.com.br/reportagens/dory-oliveira-luto-pelo-que-eu-sou.html).

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Dory. Foto retirada de: http://almapreta.com/wp-content/uploads/2016/03/DoryDeOliveira2-RicardoDutra_MulheresDePalavra.jpg

Pamelloza – Paulistana com influências de gêneros de origem africana e indígena. Formou parte de um conjunto de rappers mulheres, porém acabou deixando de lado a música por alguns anos. Em 2008 voltou com tudo, querendo traduzir sua vida em versos nas canções. Uma das várias MC’s que acredita que o rap é uma forma de protesto e de conscientização da sociedade.

 

Dica cultural: Rico Dalasam e Elliot Tupac

Ei pessoal! Primeiro, nos desculpamos pela ausência esta semana, foi bem corrida! Estávamos em semana de provas e,ufa, cansativo! Mas agora já está tudo voltando ao normal, então nada melhor do que retomar com os posts aqui no blog. Como hoje é sexta-feira, fim de semana chegando, viemos aqui dar uma super dica pra quem fica em São Paulo!

Primeiramente, temos Elliot Tupac, artista urbano peruano, com uma exposição no Sesc Carmo, com várias obras que remetem ao encontro da cultura latina e a estética do grafite e arte urbana. Aqui está o site indicando mais informações: http://www.sescsp.org.br/programacao/96074_ELLIOT+TUPAC+ARTE+URBANA+CONTEMPORANEA+DO+PERU

E, em segundo lugar, temos o show do rapper paulista Rico Dalasam no Sesc Araraquara! Aqui tem o site com mais informações: http://www.sescsp.org.br/programacao/95891_RICO+DALASAM

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Fonte: sescsp.org.br

Bom fim de semana pessoal!

Intervenções na metrópole

Depois de tantos posts sobre o Móbile na Metrópole decidimos que valia a pena fazer um específico sobre a intervenção urbana que todos nós fomos propostos a fazer. Todos os grupos deveriam pensar, num intervalo x de tempo, numa intervenção urbana que tinha algo a ver com o tema do projeto ou algo visto nos três dias de passeio.

As únicas coisas que nossos grupo tinham até aquele momento eram pessoas e mentes para pensar. Assim que o cronômetro começou a tirar os zeros do visor, nossas mentes pareciam caldeirões com mil ideias sendo borbulhadas e misturadas. De repente, cada grupo foi indo para um canto da cidade, que tivessem muitas pessoas circulando como a Av. Paulista ou a Praça da Sé. O mais legal: estávamos completamente independentes, escolhendo onde iríamos comprar material (caso precisássemos), onde comeríamos, etc. Era uma mistura de excitação com seriedade, já que muitas vezes as intervenções falava de assuntos sérios, como a do grupo que tratou das cantadas sobre as mulheres na rua.

Os resultados: gratificação. Uma palavra que define bem o que sentimos (sem exceção) depois de ver tantos sorrisos sinceros, de termos tido um contato com as pessoas tão próximo e tão fora do nosso cotidiano. Não eram nossos professores, pais, irmãos, amigos, que vemos todos os dias. Eram desconhecidos que queríamos conhecer.

Pela primeira vez sentimos que podíamos mudar algo, que tudo que a televisão mostrava com notícias de jovens indo às ruas não eram tão distantes assim de alcançar. Estava tudo nas nossas mãos, que seguravam cartazes, flores.


Abaixo colocamos alguns comentários sobre a experiência de cada um em seus grupos.

Helena Verri:

Meu grupo fez uma cena de intolerância nas ruas da cidade, ironizando-a e filmando as reações das pessoas. Pouco tempo depois da proposta ser sugerida, chegamos a conclusão que deveríamos levar às ruas algo relacionado com o machismo e cantadas maliciosas que todas as mulheres já ouviram nas ruas e que, certamente, são intoleráveis.

O plano funcionaria assim: depois de irmos comprar cartolinas e canetas, as meninas diriam no megafone no meio da Av. Paulista elogios às mulheres, com um tom de cantada exatamente para ironizar as palavras maldosas de alguns homens. Enquanto isso, os meninos entrevistariam as mulheres e perguntariam como elas se sentiram durante a intervenção. Lá fomos nós para a frente da Casa das Rosas, nos enfileiramos e soltamos a voz.

Como o próprio texto descreveu acima, foi incrível ver os sorrisos das mulheres que eram chamadas de lindas, independentes, inteligentes, etc.

Abaixo coloquei um vídeo que mostra melhor como tudo ocorreu:

Luca Coimbra:

No roteiro 2 nossa intervenção foi entregar flores e cartões para pessoas aleatoriamente na região do cruzamento da Rua Oscar freire com a Rua Augusta.

Entregando as flores, vendo expressões de estresse se tornarem sorrisos, sentia uma sensação de felicidade e prazer indescritível. Não a nada como fazer o dia de alguém feliz, esta foi a maior lição que a intervenção me ensinou.

João Mello:

A intervenção que eu fiz, de início, consistiria em sair pela avenida paulista segurando cartazes com frases que obteríamos de pessoas ao perguntá-las o que era São Paulo para elas. Mas acabou sendo completamente diferente, decidimos que iríamos oferecer massagem e bate-papo de graça na praça da Sé.

No começo da intervenção propriamente dita, tivemos uma sensação de invisibilidade frente à cidade que nos cercava e às pessoas que passavam por nós. Foi bem ruim, tentei imaginar como é que deveria se sentir alguém cujo trabalho é dar panfletos às pessoas na rua e ser ignorado. Mas com o tempo as pessoas começaram a ficar curiosas e vieram falar com a gente, umas só para perguntar o que estávamos fazendo, outras vieram realmente participar, como a mulher que me disse que nossa intervenção a tinha feito recuperar as esperanças na humanidade, o que me deixou bastante feliz, aliás, fez o meu dia.
O que realmente marcou, no entanto, foi a conversa que eu tive com Jefferson, morador de rua do centro, que me contou como tinha sido sua vida desde o nascimento, num avião de “ponte aérea” até como quando foi carregador de sacas no Porto de Paranaguá. Uma das conversas mais significativas que tive nos últimos tempos e que fechou da melhor maneira possível meu estudo do meio.

Ana Martins:

Meu grupo decidiu ir até a Avenida Paulista e elogiar as mulheres que passavam por lá para ver como elas reagiriam, diante desse contexto de machismo e opressão no qual vivemos. A ideia era tratar da questão das cantadas que todas nós, mulheres, recebemos nas ruas todos os dias em qualquer lugar, e além disso, aumentar a auto-estima daquelas que se sentem invisíveis em meio à sociedade.

 As meninas do grupo ficaram responsáveis por gritarem os elogios e os meninos por entrevistar aquelas que sofreram a experiência social, pois, assim, talvez as mulheres ficassem mais confortáveis de ouvir palavras de encorajamento vindas diretamente de quem sofre o mesmo que elas.

 Foi emocionante ver a reação daquelas que estão tentando ganhar cada vez mais poder na sociedade. Foi incrível sentir que causamos alguma mudança nessa selva de pedra!

Acima, há um vídeo explicando melhor como funcionou, já que a Helena participou do mesmo acontecimento que eu.

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Todas nós na intervenção! Foto por: Fepa

Thiago Teixeira:

Na minha intervenção, eu e meu grupo após muitas discussões, chegamos à conclusão de que queríamos mostrar aos habitantes de São Paulo que, mesmo que neguem, são de certa forma, preconceituosos. Portanto decidimos que alguns integrantes do grupo iriam se deitar na calçada de alguma avenida movimentada, e esperar até que alguém parasse para ajudá-los, e então, o restante da equipe se aproximaria e lhe faria a seguinte pergunta: Por que vocês pararam para ajudar ele(a), mas ignoraram os moradores de rua que estavam deitados na avenida ?

Os resultados foram estrondosos e me fizeram perceber o quão preconceituosa é a sociedade em que vivemos, já que em somente alguns segundos após o momento em que nossos colegas se deitaram, dezenas de pessoas interromperam suas rotinas para perguntar se estava tudo bem. E quando a pergunta lhes era feita, recebemos respostas como: “Ah, eu parei porque eu vi que ele(a) estava bem vestido(a)” e ” Não paramos para os moradores de rua porque já nos acostumamos com eles, eles estão sempre deitados, não importa se estão passando mal ou não. Já para uma pessoa bem vestida, que não mora nas ruas, é estranho que ela se deite nas ruas sem que esteja se sentindo mal”.

Isso me tocou muito pois deixou explicito a segregação social presente em nosso cotidiano, além de me mostrar que ignoramos aqueles que nos parecem de classes sociais inferiores, e nunca pensamos que enquanto estamos saudáveis, eles podem estar com uma doença séria e precisando de ajuda imediata. São ignorados pelas dezenas de pessoas que os cruzam todos os dias.

Vídeo Argumento

O projeto “Móbile Na Metrópole” foi criado por alunos e professores com a intenção de ampliar nossa perspectiva sobre a cidade de São Paulo e nos levar a novas experiências, que nos tornem verdadeiros cidadão ativos. O tema do projeto este ano é as (in)tolerâncias presentes na cidade, um assunto bastante contundente na Metrópole do caos. A avaliação final do projeto consiste em realizar um mini documentário, que está sendo construído aos poucos por meio de pesquisas realizadas pelo grupo. Neste vídeo argumento explicamos um pouco sobre nosso tema para o trabalho final. Acompanhem-nos!

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

HTTP://WWW.SCIELO.BR/SCIELO.PHP?SCRIPT=SCI_ARTTEXT&PID=S0103-40142004000100020 HTTP://WWW.USP.BR/AGEN/REDE495.HTM

HTTP://REPOSITORIO.UNB.BR/BITSTREAM/10482/2769/1/DISSERTA%C3%A7%C3%A3O%20WALDEMIR%20ROSA.PDF

HTTPS://WWW.UFMG.BR/DIVERSA/17/INDEX.PHP/CULTURA/A-RUA-COMO-TELA-E-PALCO

HTTP://BDM.UNB.BR/BITSTREAM/10483/3824/1/2011_JOANAGONCALVESVIEIRALOPES.PDF

HTTP://WWW.LUME.UFRGS.BR/BITSTREAM/HANDLE/10183/54320/000855538.PDF?..1

MÚSICA POR: HELENA VERRI (em Garage Band)

IMAGENS FEITAS PELO GRUPO

“Uma noite em Sampa” e o medo na sociedade moderna

Ei galera! Esse domingo viemos anunciar um filme que lançou no Brasil no dia 26 de maio chamado “Uma noite em Sampa”, do diretor Ugo Gioretti. Ele trata de um grupo de pessoas da elite paulistana que sai de uma peça de teatro e acaba ficando preso dentro de um ônibus, tendo de observar a noite na capital. O mais interessante é que são pessoas que saíram de São Paulo em busca de uma vida mais segura e confortável.

A partir desse filme fizemos duas reflexões. A primeira diz respeito ao tratamento perante o desconhecido na capital. Como vimos em algumas dicussões, a partir do texto de Edgar Allan Poe, “O homem na multidão”, há uma associação direta com aquele que foge de um padrão e o criminoso e marginal. Assim, o filme explica o por quê os de classe mais alta sentem tanto medo dos moradores de rua, ao ficarem dentro do ônibus.

Outra reflexão diz respeito ao medo como forma de controle social. Atualmente, é comum nos depararmos com Estados que promove o medo na população, alterando suas experiências sociais e, consequentemente, a consciência social. É uma maneira de manter todos visando uma realidade aparente, alienados dentro de um sistema. No filme, segundo o diretor, o medo representa essa elite que se cega perante o mundo real, vendo apenas moradores de rua, já mencionados, como vilões da história.

O filme está passando na Reserva Cultural aqui, em São Paulo, na Av. Paulista.

Aqui vai uma entrevista que ocorreu com o diretor do filme no programa Metrópolis, da TV Cultura.

Aproveitem esse restinho de domingo!

 

Só uma gota

Olá pessoal! Nosso grupo escreveu recentemente uma crônica argumentativa chamada “Só uma gota”e gostaríamos de compartilhá-la com vocês! O tema é a arte como mecanismo de transformação social e cultural no ambiente da cidade. Esperamos que gostem!


Feio, simples demais, não compreensível. Algumas das palavras que descrevem o que alguns acreditam da arte nos dias de hoje, seja qual for. Mais comum do que imaginamos, a arte às vezes é repulsão para uns, que não acreditam em seu potencial ou a associa com outros elementos pejorativos como drogas, luxúria, diversão abusada. Recentemente, nós nos deparamos com Negotinho, um rapper da comunidade de São Mateus que faz parte de uma organização chamada “São Mateus em movimento” com a tentativa de alimentar a cultura do local com movimentos artísticos, educativos para todos. Foi falando com ele que nós realmente paramos para pensar no valor da arte. É com pesar que dizemos que existem pessoas que pensam nessa linguagem como um desvio do certo. Negotinho conseguiu provar o quanto ela é importante para mudar a vida de muitos e conectar pessoas, mudando definitivamente a vida de muitos jovens que não possuem tantas oportunidades de acessar o conhecimento e a cultura.

A arte é como um pingo de tinta que se dilui na água. Ela é transformadora, educativa, que ao chegar numa comunidade impede que muitas das crianças e jovens se voltem para um caminho mais obscuro como o tráfico de drogas. Ela, como a tinta, modifica o tom do local, colorindo a vida das pessoas. E o mais importante: ainda que mude a forma de vida de todos, a essência e personalidade do espaço não mudam. A água com tinta não deixa de ser água. Só passa a ser um líquido bem mais bonito que anteriormente. É uma forma de expressão que preserva as origens do local e, ao mesmo tempo, trilha um outro caminho para a comunidade.

Além de transformadora, a arte conecta pessoas, alcança todas as idades. Dançar capoeira, pintar nas paredes, tocar um instrumento. Qualquer pessoa pode fazê-lo e quando o faz, certamente passa a conhecer outros com a mesma afinidade artística. Lembram da gota de tinta diluída na água? Funciona da mesma maneira. Assim que a gota de azul anil toca o líquido, ela inicia uma jornada evasiva, alcançando todas as partes da água, colorindo-a. Espalha-se. Conecta.

É por isso, nossos queridos leitores, que dizemos a vocês sempre que podemos: valorize a arte. Negotinho nos ensinou o quão importante ela é para sua vida e para a de seus amigos. Sem o rap e o grafite, por exemplo, talvez não teria conseguido esquecer a dor de ter seu pai longe. Portanto, joguemos quanto quisermos de tinta na água. Quem sabe fazemos disso uma bela pintura aquarela.