Grafite de Zezão

Boa noite galera! Hoje nosso grupo decidiu mostrar uma rápida entrevista com um dos grafiteiros veteranos que temos na cidade, chamado Zezão. Ele conta um pouco de como foi virar um artista numa época em que o “pintar os muros” era visto como algo marginalizado, associado muitas vezes ao crime, etc. A entrevista foi dada ao site obeijo.com.br, que trata de dicas sobre arte na cidade em geral (aliás, vale muito a pena dar uma olhada!). Foi exibida no programa “Metrópolis”da TV Cultura, outra indicação que vale a pena dar uma checada!

Bom, é isso! Esperamos que gostem!

Criolo e sua nova versão de “Ainda há tempo”

Criolo, um dos mais famosos rappers paulistas e um dos nomes mais influentes do hip-hop, lançou uma nova versão de seu primeiro álbum “Ainda há tempo“. Diante dessa notícia, nós decidimos ressaltar dois principais aspectos que nos chamaram atenção. O primeiro: Criolo buscou ocultar e mudar alguns versos de suas músicas consideradas pejorativas e transfóbicas. Um exemplo é a música “Vasilhame”, uma faixa que pregava o consumo de álcool e fazia menção aos travestis de forma negativa. O que criolo disse a respeito da mudança foi: “Revi tudo e mudei aquilo que não tinha necessidade de fica. Não tenho problemas em dizer que errei.“. Um outro aspecto que nos chamou atenção foi que seus versos se mantém muito atuais, mesmo depois de 10 anos.

Segundo o site O Globo, a música “Chuva Ácida” parece ter sido feita em resposta ao desastre das barragens da Samarco em Minas Gerais. Os versos “Mercúrio nos rios/ Diesel nos mares/ O solo estéril” parecem fazer referência à tragédia.

Escute aqui as músicas mencionadas acima:

“Vasilhame” em sua versão anterior

“Chuva Ácida” outra faixa do álbum – 

 

E agora?

Acordar, ir para a escola e olhar o relógio: 6 horas da manhã. E assim começava o Móbile na Metrópole de 2016. Cara de sono, mas todos meio excitados pra ver o que ia acontecer. Mal sabíamos que três dias depois, veríamos a cidade de uma maneira completamente diferente, tendo noções e perspectivas mudadas.

O que mais chamou a atenção de todos nós no primeiro dia foi o carinho com que as pessoas receberam a gente, sejam elas desconhecidas ou conhecidas a pouco tempo. As meninas do grupo conheceram Val e Negotinho, um grafiteiro e um rapper de São Mateus, que foram muito acolhedores e, ainda que pudessem repudiar de meninos como nós, de classes mais alta, agiram de igual para igual. Tiago experimentou a oficina de Zé Maria, que recebeu ele de braços abertos e promoveu uma maior integração com pessoas das quais ele nunca tinha falado. E João, que conversou muito tempo com uma moradora de rua que foi gentil com um bando de desconhecidos.

O que concluímos desse primeiro dia foi o quanto nós ainda precisamos quebrar barreiras de concreto na cidade para que o contato entre as pessoas seja ainda mais efetivo. Porque, depois que conversamos com elas e as conhecemos, muitas estão abertas para conhecerem pessoas novas de outras regiões. A distância social imposta é um empecilho.

Nos próximos dias, o MNM conseguiu mostrar para nós quantas regiões tão diferentes entre si existem em São Paulo. Que em 10 minutos de metrô é possível sair de uma região de comércio de varejo e ir para outra com lojas na moda e prédios antigos ao mesmo tempo. A diversidade fica escancarada nas portas de São Paulo. O diferente é o normal.

Outra coisa que nos chamou muito a atenção neste estudo do Meio e que hoje nós nos damos conta do quão importante isso foi, é o fato de que muitos de nossos preconceitos foram tirados, sejam eles sociais, políticos, culturais. Víamos apenas formas distorcidas da cidade, como as ocupações e o pensamento de que é algo completamente desorganizado. Conseguimos entrar em contato um pouco mais afundo com as essências da cidade, com algumas das identidades que a compõem.

Por fim, o que mais impactou todos nós foi na sexta-feira, a intervenção que tivemos que realizar. Chegamos ao senso comum que sentimos realmente que tínhamos poder de realizar algo e mudar a cidade. Por mais pequeno que fosse a intervenção, como distribuir flores pelas ruas. E não há nada mais gratificante do que ver as pessoas pararem suas rotinas e perceberem a cidade e suas potencialidades no meio da correria do dia a dia, como fizemos nos três dias.

Marcante, diferente, essencial. O Estudo do meio de 2016 foi fundamental para termos uma visão de mundo mais ampla, mais livre de preconceitos. Fundamental para a formação de um cidadão. E chegamos a conclusão que a tolerância às pessoas e à cidade não pode apenas serem consideradas, mas sim afirmadas. Afirmadas como algo que nos traz riquezas e diversidade, e que harmoniza nossa convivência. E é disso que precisamos em São Paulo: o respeito às identidades que formam um mosaico rico e colorido.

Veja abaixo um vídeo retratando um pouco do nosso dia a dia na cidade:

Mas, e agora? O que a gente faz pra evitar o cotidiano de novo? Bem, leitores, nós não conseguimos muito responder a essa pergunta, mas podemos tentar. Talvez tentando perpetuar o contato com a cidade, com o mundo real. Como? Bom, pra começar temos o blog, o projeto, as relações que fizemos nesse tempo e que vamos manter neste ano. Talvez estes mecanismos sejam alguns dos que nos prendam um pouco mais no lado nu e cru da realidade.

Sobre o nosso tema: atualização

Oi gente! Depois do Estudo Do Meio, que daqui a pouco vamos postar algo esclarecendo melhor como nos sentimos em relação a ele, todos nós pensamos a respeito de nosso tema. Entrando em contato com pessoas tão diferentes que tratavam de (in)tolerâncias de maneiras tão únicas, acabamos decidindo mudar um pouco o que vamos tratar daqui para frente.

Como vocês provavelmente já leram, nosso grupo trabalha com as intolerâncias ao grafite e às músicas nas ruas. Principalmente depois de alguns membros terem ido a São Mateus, uma comunidade na zona leste da cidade, e entrarem em contato com Negotinho, um rapper, achamos que seria ainda mais interessante focalizarmos no que diz respeito tanto ao grafite como ao rap, na área musical.

Ambos fazem parte dos seis pilares que compõe o hip hop, assim como o breakdance e o DJ, por exemplo. Ambos partem de uma cultura dos anos 70 nos Estados Unidos em áreas com comunidades suburbanas mais carentes afro-descendentes, latinas, com a ideia realmente de transgredir a lei, de expressar-se livremente.

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Pessoas se reuniam para dançar break, cantar rap, grafitar nos guetos dos Estados Unidos nos anos 70. Fonte:http://imguol.com/blogs/104/files/2013/11/ToyotaCorolla3.jpg?debug=true

O rap, propriamente dito, é um ritmo musical que mescla rimas, poesia, acompanhado por uma batida mais simples. Dentre os rappers brasileiros mais famosos temos Emicida, o grupo Racionais MC’S, Projota, Criolo, Karol Conká e Marcelo D2.

Portanto, queridos, decidimos especificar nossas pesquisas um pouco mais adentro do hip hop e focando em alguns de seus pilares. Temos certeza que a intolerância tanto no grafite como no rap não aparecem apenas com pessoas sendo contra tais movimentos, mas principalmente no momento de expressão artística do grafiteiro e do rapper. Grande parte dos temas de ambos tratam de questões políticas e culturais ligadas com o desrespeito, racismo, preconceitos, etc.

Para fechar o post, abaixo temos um vídeo do clipe de um dos raps mais famosos do Brasil do grupo Racionais MC’S, chamado “Negro Drama”. Divirtam-se!

Foto tirada de: www.imguol.com

Outras intolerâncias

Olá pessoal! Viemos aqui dar uma dica a todos os nossos queridos leitores sobre outros tipos de intolerância que também acontecem na cidade de São Paulo.

Como vocês sabem, participamos de um projeto com outros vários grupos que definem temas relacionados com a (in)tolerância na metrópole. Todos fazem blogs como este aqui que você está lendo! E, assim, queríamos recomendar um deles que trata sobre as intolerâncias no trânsito, sejam com pedestres ou ciclistas, ou mesmo nos carros. Afinal, quem nunca ouviu xingamentos num engarrafamento e pessoas bastante intolerantes com as outras?

Vale muito a pena ler os posts que são interessantes e além do mais: as meninas do grupo, que são a Jade Guarda, Giovana Greco, Carolina Arntsen e Giovana Brito, adicionaram uma playlist com músicas que elas curtem!

Deem uma passada lá e digam nos comentários o que vocês acharam!

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Paulista de papéis

João Mello

Todo o 2º ano começou o terceiro dia junto, na Vila Maria Zélia, onde fomos ver uma peça de teatro. Após a tal peça, nos foi dada a “atividade surpresa” que estava programada, mas que, obviamente, nenhum de nós sabia do que se tratava. Nossa missão era fazer uma intervenção urbana em algum lugar da cidade e documentá-la em vídeo. Decidimos que sairíamos por aí entrevistando pessoas e pedindo que definissem São Paulo em uma frase, escreveríamos essas frases em cartazes e mostraríamos esses cartazes na avenida Paulista, essa seria a intervenção.

Essa ideia durou até a entrada no ônibus que nos levou até o terminal Dom Pedro, de onde partimos para a praça da Sé, onde compraríamos o material necessário para produzir os cartazes e de onde iríamos para a Paulista, no entanto, havia quem discordasse da ideia de levar cartazes, queriam fazer algo que realmente mudasse o dia de alguém, por isso, decidimos almoçar perto da Sé para decidir o que fazer. Para encurtar a história, durante o almoço, mudamos de ideia e agora a intervenção seria oferecer massagem e bate-papo grátis na própria praça da Sé, pois não havia tempo para ir à Paulista.

Compramos cartolinas para anunciar, 5 metros de TNT para sentarmos e partimos para a praça. Lá chegando, tivemos a experiência da invisibilidade involuntária, aquela que o pedinte que é ignorado tem, e a que a pessoa que distribui panfletos, e que nós passamos reto na rua também, foi péssimo. Mas depois de perseverar um pouco, pessoas começaram a se aproximar de nós, aparentemente interessadas no nosso trabalho, conseguimos “clientes”, um das quais foi a mulher que fez meu dia.

Não lembro de seu nome, mas lembro de suas falas enquanto eu fazia massagem nela: ela disse que havia passado por uma depressão  fortíssima fazia pouco tempo e que estava frequentando um grupo de ajuda, falou ela que contaria ao grupo sobre nossa intervenção, pois nós havíamos, com o Massagem Na Metrópole (MNM), como chamamos o ato, feito com que a tal mulher recuperasse as esperanças na cidade e na nossa geração. Aquilo me colocou num estado de felicidade tão incrível que eu esqueci que voltaria para casa dali a pouco tempo.Foi maravilhoso poder tocar alguém, tanto no sentido literal quanto no figurado, no meio da multidão de apressados no Centro, tirando-a do transe em que os apressados parecem estar mergulhados e, de quebra, melhorando não só o meu dia, mas o de outra pessoa também.

Harmonia dos contrários

João Mello

O segundo dia de MNM já começou diferente: fomos pra Zona Norte, ir de metrô até a rodoviária do Tietê, a pé até o Parque da Juventude, visitá-lo e ao Museu Penitenciário Paulista foram as atividades matinais. O grupo se fragmentou, pois o sono estava maior, e a fome também. Há quem culpe um colega nosso que não foi conosco naquele dia por isso, ou só o cansaço mesmo, mas pouco importa, pois o melhor ainda estava por vir.

39818ab5-6d01-4dd5-b0ff-cc4179c59145Parque da Juventude

Se combater o sono foi difícil, a fome foi acalmada em Santa Cecília, no Conceição Discos, onde conhecemos a Thalita, um ser que arranca sorrisos de qualquer um. Cozinheira de mão cheia, fez valer a pena o mau humor geral da manhã, substituindo-o, na base do arroz de abobrinha e do de porco, por suspiros de prazer. Um pudim de leite depois, passamos na Banca Tatuí e seguimos, à pé, em direção ao Instituto Moreira Salles, para ver uma exposição de fotos, e então para a FAAP, para uma outra exposição.

Foi a mudança no aspecto geral da cidade, que eu percebi no caminho do Conceição Discos até a FAAP, tanto nas pessoas, quanto na arquitetura dos prédios, nas pichações nos orelhões, e mesmo no comportamento dos motoristas frente a nós, quando atravessávamos a rua, que me impactou mais nesse dia. A diferença de poder aquisitivo novamente se manifestou, não de maneira tão direta como o beijo, mas de modo sutil, precisou de atenção para perceber essas diferenças. Acima de tudo, isso me fez notar quanta diversidade cabe numa cidade,  o quanto muda a vida de um bairro para outro, mesmo que eles estejam lado a lado, e mesmo assim, contrastados, todos se integram numa só metrópole.

(A foto quem tirou fui eu mesmo)

O tapa

João Mello

O estudo do meio que eu esperava começava naquele dia, 18 de maio, quarta-feira. Começava de uma maneira um pouco diferente da minha rotina normal: na escola às 06:15 da manhã. Já estava colocado num grupo cujo roteiro não tinha muito a ver com arte de rua, e, ao ver quem eram meus colegas ali, veio na minha cabeça o aviso “NÃO VAI DAR CERTO”, porque estava o mais heterogêneo possível, misturava pessoas não só de salas diferentes, mas também de opiniões, gostos e modos de encarar a vida e a cidade completamente distintos. Diametralmente opostos, em alguns casos. Eu não via como aquilo iria funcionar, mas o esforço coletivo de separar os grupinhos formados e fazer com que todo mundo se apresentasse se fazendo notar no grupo, que nos permitiu conversar pela primeira vez todos juntos e se integrar, me obrigou a mudar de opinião.

Não foi ir de ônibus até a estação Santa Cruz ou pegar o metrô até a estação Armênia o que me impactou, mas sem dúvida isso nos uniu, da porta do vagão para frente, éramos uma equipe que funcionava integrada, junta. Fomos juntos a um centro de acolhida de adultos, nome meio chique para albergue para moradores de rua, que ficava ali perto, o que deu início à minha reflexão principal daquele dia, mas que não me marcou muito. O centro estava vazio, pois os “acolhidos” chegavam só às cinco da tarde, mas pudemos conversar Continuar lendo “O tapa”

Metrópole mundo

Thiago Teixeira – 20/05/16

O terceiro dia de nosso “mergulho” na cidade foi muito especial para mim. Começamos assistindo à uma linda peça na Vila Maria Zélia, local isolado do caos no qual vivemos todos os dias. Após isso, meu grupo e eu recebemos o desafio de criar uma intervenção artística para a população de São Paulo, e somente depois de uma longa discussão, finalmente decidimos o que iríamos fazer.

 

Uma das peças que é feita na Vila Maria Zélia

Foto de: https://www.flickr.com/photos/keilopes/8511031531

A ideia era de colocar um dos membros do grupo deitado no chão da Av. Paulista, próximo a um morador de rua, e esperar até que alguém parasse. O resultado foi impressionante, em menos de um minuto, dezenas de pessoas interromperam suas rotinas paulistanas para assistir o indivíduo deitado, logo, perguntamos aos que pararam: “Por que vocês pararam para ajudar ele(a), mas não pararam nem para olhar para aquele morador de rua?”

Esperamos que nossa intervenção tenha feito com que as pessoas questionassem o modo com que olham para um morador de rua e para um estranho na rua, e se perguntem se o fato de uma pessoa estar bem vestida a faz merecer ajuda mais do que uma que não esteja.

Mas tenho certeza que esse dia não só marcou as pessoas com as quais falamos na Paulista, todos fomos marcados. O que mais me impactou foi que enquanto estávamos na Vila Maria Zélia, eu não me sentia em São Paulo, parecia que o caos e o cinza não haviam chegado lá ainda, e só assim me toquei que a cidade em que eu vivo não é uma simples cidade, cada bairro, cada rua, cada casa é diferente, esconde diversas culturas, diversas pessoas, diversos mundos a serem explorados e vidas a serem vividas.

Então cheguei à conclusão de que São Paulo não é só uma metrópole, é um mundo, várias cidades ligadas entre si que formam uma enorme mancha urbana que apelidamos de selva de concreto, onde vivemos e crescemos, resultando em um lugar que representa a todos.

 

 

As aparências enganam

Thiago Teixeira – 19/05/16

No segundo dia de nossa “viagem”, visitamos uma ocupação e, logo em seguida nos dirigimos ao Edifíco Copan, onde tivemos uma privilegiada vista da selva de concreto que habitamos. Depois disso, almoçamos em um delicioso restaurante grego, o Acrópole, e partimos para a SP Cia. de Dança. Lá, assistimos aos ensaios de bailarinos profissionais e aprendemos mais sobre quem escolhe a dança como profissão. Após essa incrível experiência, fomos à Casa do Povo, onde passei a conhecer mais sobre o trabalho que é feito lá e sobre arte contemporânea, mas foi no meio destes aprendizados, que passei por uma experiência que marcará minha vida.

Bailarinos da SP Cia. de Dança

Foto de: http://revistacriativa.globo.com/Revista/Criativa/0,,EMI209339-17356,00-PROFISSAO+BAILARINA+A+ARTE+VIROU+HIT.html

Após conversarmos com um dos responsáveis de lá, ele decidiu nos mostrar o auditório que havia embaixo do prédio, neste momento, imaginei que seria algo pequeno, já que o prédio não parecia ser muito grande visto de fora ou de dentro. Mas foi aí que me surpreendi, descemos uma pequena escada em que não havia nem luz, por isso tivemos que utilizar as lanternas dos celulares para enxergarmos, e chegamos ao tal auditório. Era gigantesco e estava abandonado havia bastante tempo e foi aí que comecei a refletir.

Percebi que as aparências não só enganam, mas enganam muito e que quando vemos algo que parece pequeno ou impotente, temos que pensar que dentro dele pode haver uma grandeza de tamanho inimaginável. Esses pensamentos foram extremamente impactantes para mim, já que eu havia comprovado isso na “pele” e os carregarei comigo para o resto de minha vida.