Entendendo a cidade com Paulo Mendes da Rocha

Boa noite galera! Viemos aqui contar um pouco a respeito da visão de um arquiteto bastante conhecido por todos, Paulo Mendes da Rocha, sobre nada mais nada menos que a cidade de São Paulo e seu funcionamento. O urbanista projetou desde o grande museu MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) a Pinacoteca de São Paulo. É, ser conhecido é pouco!

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Acabamos tendo acesso a uma entrevista que o capixaba fez à Revista Brasileira de Psicanálise, e a um vídeo de outra entrevista onde ele conta o que ele acredita sobre a arte, a cultura popular da cidade e intolerância, e nada mais nada menos que a própria São Paulo.

Selecionamos aqui alguns trechos interessantes da entrevista na Revista:

Penso que estamos numa rota de desastre total. (…) Está se formando uma nova cultura popular sobre a natureza. (…) O homem está compreendendo que nós somos parte da natureza. (…) As relações também são outras e a consciência sobre tudo isso mudou: como, por exemplo, a presença da mulher na política”. – Percebemos claramente uma referência a cultura que está se tornando mais tolerante em sua visão. 

A arte e técnica e ciência sempre foram associadas. (…) A grande questão é a decisão política. (…) É por isso que falo com tanto entusiasmo na formação da cultura popular. Foi ela quem mudou o mundo da Idade Média para o Renascimento (…) A força da cultura popular é histórica e fica bem ilustrada na anedota que o Brecht apresenta na peça Galileu Galilei”. – Referência a cultura formada e arte, mencionando até uma peça que vimos com a escola que trata da decisão política como coletiva. 

Veja alguns trechos interessantes do vídeo abaixo nos minutos:

  • 2’43″a 4’09”
  • 7’10″a 9’30”
  • 12’08″a 12’23”

 

 

Saiba mais: “Cidade Cinza” e Graffitrilhas

Você já se perguntou sobre algum acontecimento que exemplificasse a intolerância ao grafite em São Paulo? Pois bem, viemos aqui te dizer especialmente sobre um ocorrido no ano de 2008 na cidade que deixou certamente muitos grafiteiros enfurecidos: o prefeito do momento, Gilberto Kassab, adotou uma política que apagaria 680 m de muros grafitados na Av. 23 de Maio.

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Dentre os artistas que sofreram com o atropelamento de suas obras, temos Os gêmeos, Nina Pandolfo, Herbert, Vitche, etc. Nada melhor para representar esse momento de intolerância do que o filme de Marcelo Mesquita e Guilherme Vallengo, “Cidade Cinza”.Certamente questiona o cinza que nos toma ao redor da cidade, privando muitos artistas de renome de exporem suas obras no mundo urbano.

Veja a seguir o trailer do filme:

Ainda caminhando um pouco nesse rumo, conhecemos essa semana um projeto chamado Graffitrilhas, formado por grafiteiros paulistas que decidiram que a cidade, por estar se tornando cinza, não era mais um espaço do qual poderiam usufruir para expor suas obras. A intenção é ,portanto, levar os grafites a comunidades mais distantes, dialogando com a própria essência e origem da arte, indo aos quilombos, por exemplo.

Veja aqui um exemplo de intervenção deste projeto:

Projetos como este nos fazem questionar como a intolerância a este tipo de arte acaba distanciando nós, cidadãos, dessa expressão. Padronizar os muros de cinza, talvez, nos jogue longe da beleza colorida dos grafites, sugando a vida das paredes. E, só talvez, seja interessante sair desse padrão. 

 

 

Dica Cultural: Mulheres em Fúria

Olá pessoal, tudo bom? O fim de semana está começando e, portanto, viemos aqui divulgar uma exposição muito bacana que está acontecendo no Sesc Santana. Cinco artistas mulheres estão expondo seu trabalho nos muros próximos ao Sesc, e este conjunto de obras foi intitulado “Mulheres em Fúria”.

O projeto convidou cinco artistas que pintam muros e os grafitam, pensando no tema do feminismo atual que tem tomado certamente várias camadas da sociedade. Criola, Panmela Castro, Siss e outras artistas trabalharam pensando nos direitos das mulheres e sua luta por uma sociedade mais igualitária e justa. Relacionando com o projeto do Móbile na Metrópole, vemos aí um belo exemplo de expressão de uma intolerância sentida por muitas jovens e mulheres.

Além disso, temos uma tentativa de ocupação dos muros do bairro de Santana de uma maneira divertida e interessante!

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http://misturaurbana.com/wp-content/uploads/2016/01/Mulheres_baixa_fot-Geraldo-Cruz.jpg

Para mais informações acesse o site: http://www.sescsp.org.br/

A Repressão das Cores e Tons

Quantas vezes vemos grafites sendo sobrepostos com tinta preta, cinza ou de qualquer outra cor porque a obra foi confundida, ou até mesmo previamente considerada pelo governo uma pichação? Quantas vezes ouvimos alguém ofender um músico de rua, chamando-o de vagabundo ou de marginal? A resposta para estas duas perguntas é: muitas vezes.

Essa resposta mostra o quão intolerante São Paulo, um dos maiores centros de cultura do mundo, é em relação a arte de rua. Enquanto em outros polos mundiais como Nova York, Londres, Tokyo, a arte e o artista urbano tem lugar de destaque em meio aos espaços públicos, sendo sempre respeitados e valorizados pela população, aqui sofrem este tipo de repressão.

A “correria” de São Paulo fez com que as pessoas deixassem de valorizar as cores, e mais tarde passaram a não tolerá-las. Isso porque, perderiam seu precioso tempo para aprecia-las e analisá-las , o que tornou a nossa cidade cinza e sem vida.

Estas pessoas não aceitam mudança, não aceitam uma vida fora da monotonia. Em uma cidade que possui a arte de rua em quantidade até razoável , e em espaços variados, cada dia é um caminho por análises e sentimentos diferentes. Este não é o caso de São Paulo no momento.

Nossa cidade tem potencial para ser um dos grandes centros mundiais da arte de rua. Podemos ver isso no Beco do Batman, por exemplo, um lugar em que os muros são 100% preenchidos por grafites, que é um dos poucos lugares onde a arte urbana é reconhecida na metrópole. Pode-se observar isso também aos Domingos na Av. Paulista, onde alguns músicos aparecem para colorir o ar, e que mesmo com as pessoas que os criticam, continuam lá, firmes e fortes mostrando seus talentos.

Beco do Batman:

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Arte urbana exige ao artista treino, dedicação e prática. Faz críticas sociais e nos emociona, como qualquer outra.  Então, esta deve ser tratada e respeitada como qualquer arte que é exibida em museus e galerias.

Além disso, a intolerância não só aparece no que diz respeito às expressões artísticas, mas também é tema de muitos artistas que usufruem desse meio para percorrerem essas linhas marcadas de preconceitos históricos impregnados na sociedade e  em nossa cultura, como o racismo.

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Exemplo de um grafite que retrata o racismo às mulheres negras, http://blogueirasnegras.org/wp-content/uploads/2013/06/graffiti-feminist.jpg

São Paulo é intolerante às diferenças no geral, mas acreditamos que a arte de rua é um dos tópicos onde isto se destaca, principalmente nos dois métodos artísticos que escolhemos, a música e o grafite. Procuramos pesquisar mais afundo a respeito dessas duas esferas, incluindo a trajetória dos artistas que sofrem com isso. Esperamos ,com nosso projeto, mostrar isso às pessoas e até conseguir mudar a mentalidade de algumas. Tendo assim uma cidade mais viva, cheia de tons e cores, e menos monótona.

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